Wednesday, November 17, 2010

Não sou Poeta (inspirado ao som do Márcio André)



Tenho de escrever
dê por onde der.
Não tenho aspirações a ser poeta,
e ao contrário de muitos que se afirmam como tal,
onde de poetas apenas têm as letras,
sou mais um esbanjador de palavras que outro.
Nada me pedem,
mas mesmo assim dou,
contra a vontade mesmo de quem é o alvo a receber.

Não sou poeta,
nem gosto de tal título.
Usado e abusado para a fogueira de vaidades.
Descrevo simplesmente a forma como sinto as coisas.
O ver pouco importa.
Já não deixa de ter a sua importância
a leviandade dos actos cometidos,
semeados no horror aterrorizado.
Pouco de zen tem.

Esperar e voltar ao tema,
pintado de lema, leme, teme.
Vai passar.

O poeta perde-se na sua incerteza,
devidamente disfarçada de eruditismo.
Pega-se em referências fáceis e diz-se belas.
Amarelas da seiva que alimenta.
Podre.

Não se perde nada.
Nunca.
Por muito má qualidade tenha,
ruído que inunda,
dispersão pintada,
concretizada de ilusão.

E tu?
Permites-te chamar poeta?
Defines meta e deixas te levar no carnaval
que nem um carneirinho no rebanho.
Ranho teu que nem desdenho nem quero comprar.
Louvar.... Até talvez?
Vês?
Não digas sim só porque parece bem.
Diz que sim porque sentes.
Porque vives.
Porque és capaz de ser mais que os medíocres,
não são mais que os demais,
E eu quero mais,
mais,
e mais.

Não sou poeta.
Escrevo, mas não sou poeta.
Sou...
Sou...
Sou...
E tu também.
Somos, não somos?

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