Tuesday, September 28, 2010

A fada que virou...


O pêndulo continua a rasgar o ar.

Os olhos fechados para melhor se sentir o ardor.

Pedes o teu espaço e perdes-te no mesmo.

Continuas... pois não podes parar.

Perdoas e pedes perdão e esqueceste que...
nada há a perdoar.

Pilar que se ergue por entre a névoa que se cobre os teus pés.

As sombras bem que gritam mas não se ouvem.
Perdem-se por entre as fundações de sentimentos
que a qualquer momento podem colapsar em si mesmos.

Ahhhh, a doce arte da mensagem se perder no meio de superficialidades
que enchem o dia a dia.

Até olhas e pensas,
que tu e tu só podes mudar o mundo,
levar todo ele às tuas costas,
puxando todos atrás de ti.
E...

E o sentido de tudo isto é facilmente questionável,
tal como o rapazinho que passa os dias sentados
na sua bela fabrica de produzir...
vocês percebem...
ao menos podem explicar?

Ah, pois é...
Esqueci-me...
dá muito trabalho
e trabalho é o que não se quer...
cansa...

Que taciturno,
Que coisa chata, dizes...
Como que se o que dizes se escrevesse,
já há muito o diziam.

Poderia até ser uma coisa alegre e divertida,
Com árvores,
florestas,
passarinhos,
lagos e cascatas,
animaizinhos patuscos,
florinhas,
fadas,
e unicórnios.
Mas de fada só não tem mesmo a palavra em si,
onde o primeiro a
deve ser cirurgicamente substituída por um o.
e é o que isto é.
Sem dúvida que é.

Sunday, September 26, 2010

Não sei


Não sei o que penso
Não sei o que falo
Não sei o que fazer
Não sei como fazer ou o porquê

Não sei o que me espera
Não sei desatar este nó,
mexer as pernas que me bloqueiam
ou os braços inertes.

Não sei quem és,
Não sei quem sou,
Não porque sou,
como sou,
do que sou,
de quem sou.

Não sei, não sei, não sei.

Não sei o que se segue,
Não sei o que está a acontecer,
Não sei respirar.... esqueci.

De comer por vezes também.
Mas ai o estômago aperta
e como que diz "olá"
E lá vou eu comer...
Não sei bem como nem o quê.

Simplesmente não sei.

Não sei o que quero,
quem quero,
porque quero
e de que forma quero.

Não sei o que fazer.

Não sei inclusive como me perdi por entre a vanidade dos meus dias.
Não sei...
Não sei...
Não sei...

Já pareço o Sócrates....
não o do tempo presente,
mas o do tempo passado que se faz presente.
Só sei que nada sei... disse ele...
Eu nem isso sei.

Sei que continuo a escrever meras idiotices,
E o fantástico é que ainda há quem leia...
Pior do que isso. Há até... quem oiça.
Mas... já não sei dizer é se escutam....

Não sei o que será o meu dia amanhã
tão pouco sei o que foi o meu dia ontem,
o de hoje... apenas um borrão...
tal como eu... às vezes faço...

Não sei sequer se importa,
está morta ele diz,
mas nem abriu a porta.
Pensei mas não fiz.
Bem eu o quis...
Mas voltei onde comecei...
Não sei...

Não sei o que faço aqui,
Nem sei o que seria o mundo sem mim,
Sem ti, eu, nós, vós, eles... e elas...
Simplesmente não sei.

Coisas tão simples e eu....
não sei...

Não sei.

Não sei o sentido disto tudo,
como se o tivesse que ter.
Não sei porque respiro,
Não sei porque penso,
gosto, provo, amo, como
e ainda me esforço por viver...
Não sei...

Não sei o que é a felicidade.
E não digam coitadinho,
Porque também não sei o que é a infelicidade.
Não sei porque tens pena,
e eu caguei nela.
Não tenho nenhuma
e não sei o que ela é.
Patético até tal sentimento.

Não sei o que aconteceu depois de eu ter virado costas.
Talvez melhor mesmo assim.
Não sei o que se passou,
nem como se viveu.

Não sei como vou sair deste buraco,
Não sei como vou caminhar,
Para onde, nem como.
Não sei o que importa.
Não sei o Euromilhões,
ou outras questões importantes como se amanhã chove.

Não sei porque ainda estou aqui,
Não sei porque escrevo,
Não sei em que acreditar...

Por outro lado,
também não sei porque não fazer exactamente tudo o contrário daquilo dito atrás.
É rico este mundo em paradoxos e eu não o sou mais.
Não sei se está correcta de todo esta análise,
mas também o que importa?
O que importa?

Uma consciência limpa?

Comida na mesa?

Licor no bucho?

Uma moral superior?

Um corpo escultural?

Um sorriso cristalino?

Dizer a verdade?

Não ferir os demais?

Ignorar o que nos magoa?

Obedecer à lei?

Escrever sem nada dizer?

Dar mais uma facada sem faca ter na mão?

Afinal... qual o sentido desta merda toda?

Não sei....

Simplesmente... Não sei...

Thursday, September 23, 2010

Remoinho


Preciso de bem mais que os demais.
Não que eu seja mais do que eles.
Simplesmente preciso de bem mais.
Não me contento com o pouco ou nada que tenho.
Não que eu pouco ou nada tenha,
simplesmente não me chega.
Não me contento com aquilo que aos olhos de muitos
até pode até ser muito
mas acaba por ser pouco aos meus.
Bem certo que não sou dos que menos tem
e tão pouco dos que mais tem.
Aquilo que importa aqui é que não me chega...

Existe inclusive teorias que dizem que devemos estar gratos
pelo que temos...
Eu não.
Chamem-me ingrato, não quero saber.
A mim não me chega.
Quero sempre mais e é provavelmente por isso
que por muito que tenha nunca me chega.

Não é um querer material que me alimenta...
Tão pouco.... mais uma repetição.... sei bem aquilo que quero.
Sei que aquilo que tenho que não me chega.
E é certo que para muitos eu tenho muito,
foco-me demasiadamente nos outros,
no que dizem,
no que pensam,
no que julgam,
no que fazem,
no que me excluem,
ou simplesmente me ignoram.

É curioso este mundo.
Parece tal e qual que tem as voltas trocadas.
Os que queremos que nos ignorem não o fazem
e o mesmo se aplica aqueles dos quais queremos a atenção.
Atenção.

Não se trata de todo de um sentimento de vassalagem,
jovem recluso do seu próprio mundo que o sufoca e não deixa respirar....
mas respira...
Ignorante do que vai por ai,
por aqui....
por aqui....

É tudo tão fútil....
tudo tão vão...
Saio a espaços de frente da televisão,
que me absorve e me isola do mundo lá fora.

Preciso de respirar e não consigo...
Essas imagens de pura tesão que me assolam
do ritmo glaciar que marcam as minhas passadas,
a tua presença,
a minha lembrança,
a tua ausência.... mas eu nunca te vi...
Não sei quem és e muito menos como.
Não sei o teu nome,
onde páras e o que fazes....
Mas quero-te....
Quero-te a meu lado para te poder beijar,
tocar todo o milímetro do teu corpo,
com as minhas mãos,
os meus lábios,
o que quer seja que esteja à mão...
a minha solidão.

Liberta-me desta prisão etérea
em que me prendo a mim mesmo.
Toca-me, sente-me, ama-me, mama-me
como o Deus que sou para ti...
para ti...

Os demais pouco importam...
Os demais são apenas pano de fundo...
Os demais estão permanentemente ausentes,
ou então apenas presentes quando interessa.
Tu é que me interessas.
És tu quem eu quero.
Mas eu não te conheço,
não sei quem és
nem como és,
o mundo as meus pés...
Às minhas costas...
Bem que o tento abraçar com estes braços,
mas... são tão pequenos....
não lhe cabem mais do que isto...
E sinto,
Sinto a tua falta.
Mas não sei quem és, nem onde estás.

ONDE ESTÁS PORRA????
Onde estás...
Preciso de ti....
Preciso de ti....

E tu... de mim...

Do que mais necessitas para entenderes de uma vez por todas???
A merda de um desenho?
Queres que eu o faça, é???
Mas eu não sei desenhar...
Muito menos escrever....
embora aparentemente até haja pessoas que por aí pensem o contrário...

Bem, que se foda...
Também não te conheço,
Não sei quem és
e muito menos como és...
Talvez não seja importante de todo.

Preciso....
Preciso de ser bem mais que um pedaço de carne,
um amigo,
um deficiente,
o porreiro,
o coitadinho,
o incompreendido,
o vadio,
o louco,
o descarado,
o certinho,
o atadinho,
o incapaz,
o bon vivant,
o verme,
o chulo,
o herói,
o solitário,
a puta,
o uma coisa qualquer boa ou má não importa,
que por ai anda, ao ritmo das marés que vão passando.
E eu não sou marinheiro,
embora ande por ai a navegar...

Bem, bem, bem...
já ando outra vez às voltas no remoinho...
moinho de vento,
como os que o Don Quixote perseguia.
Era tão palhacito....
Por acaso até tenho mais de Sancho do que outra coisa.
Isso é irrelevante...
Ai o Drama...
Mas para que é que eu me ponho com estas merdas???

Espera... Mas ainda estás a ler isto???



lol

Monday, September 20, 2010

Quis


Quis...
Quis eu tanta coisa e não fui capaz de me dizer.
Escondi-me de mim mesmo,
atrás de mim mesmo,
comigo mesmo.
E tento fazer para me manter o mesmo,
mas não o sou.
Acordo do meu torpor
que me mantém indiferente para o que me rodeia.
Grito com a minha voz muda por ajuda...
Ninguém o ouve, quero eu acreditar.
O mais certo até é me ignorarem.
É mais fácil assim,
preferível até.
Quem não acha mais fácil fechar os olhos,
para algo que incomoda e desesperado por atenção.
Não te censuro, eu próprio faria o mesmo.
Sou apenas mais um cobarde
que se esquece tantas vezes...
Simplesmente parar e....
Ahhh... Respirar.
Olhar em redor e ver que afinal
a escuridão é bem mais clara do que eu imaginava.
Mas não... Este soldado aqui não vai baixar as armas.
Baixar as armas até ser feliz.
Bem que é certo que desconheço do processo
para atingir tal fim.
Mas ahhhhhh caralho,
irei lutar com todas as minhas forças.
Se tiver que ser contra tudo e contra todos.... Que seja.
Já nada tenho a perder.
Se bem que eu preferiria que antes assim não fosse.
Nestas coisas nunca temos grande hipótese de escolha.
Mas deixemos-nos de coisas.
Espera-me um belo banho de imersão,
seguido de uma sessão de beijos invisíveis por todo o meu corpo.
Sim, porque neste castelo, eu sou rei.
E o rei quer-se só.
Tudo o demais pouco importa.
Aliás, porque outra razão haveria eu de escrever?
Afinal há letras que sem nada dizerem,
dizem muito.

Monday, September 13, 2010

Slam Poetry



O que é o Slam?
Quem me responde?
O que é... o Slam?
O Slam é algo que te bate na cara,
fere-te a alma
e expõe-te ao que mexe contigo... ou não.

Slam...
Palavra simples que reduz um aglomerado de ideias,
umas vezes vãs, outras cheias de essência,
com algo que é bem mais que um nada projectado de forma difusa.
Nunca se sabe o que se esperar.
Pode ser algo simples,
complexo,
deixar alguém perplexo,
indiferente,
incomodado,
acomodado,
petrificado,
sentado,
acordado,
fazer mesmo acreditar em tretas
disparadas e envoltas em bonitas palavras...
Mas BAM,
o Slam vem e arrebata.
Tanto quanto não seja,
pelo menos é capaz de por 2 ou 3 paspalhos a ouvi-lo.

Pode até te marcar,
mas não muda a tua vida.
Acabas por manter os mesmo hábitos,
as mesmas rotinas,
a mesma personalidade,
a mesma atitude,
as mesmas ideias,
a mesma forma de pensar.
Poderias até mudar, mas não...
Manténs-te na tua por muito que na altura
te questiones daquilo que está a ser dito,
daquilo que eu digo.

Somos todos uns palhacitos hipócritas,
em que bebemos as palavras até não podermos mais.
Temos autênticos orgasmos com certas frases/citações.
Mas a nossa vida mantém-se a mesma.

O Slam, acaba por ser fugaz...
Um autêntico murro no estômago,
mas nem precisa de remédio para passar.
Basta passares aquela porta para tudo se ir...
Não é um slam que te vai fazer reciclar,
Ser mais humano,
não só olhar para quem está em teu redor
mas fazer igualmente por eles...
por eles... por ti...

Revoltaste no momento....
e até podes carregar isso contigo durante vários dias.
O efeito prático acaba por esbarrar-se no muro da indiferença
que construímos dia atrás de dia atrás de dia.

O Slam não faz nada por ti.
Olha para mim....
Aqui a falar, chamo-te estúpido ou estúpida para o efeito.
E tu nada fazes....
Sabes que eu tenho razão,
mesmo que abanes a cabeça a dizer não...

Repito...
O Slam nada faz por ti
E por muito que negues é teu o poder de mudar,
mostrar-me que estou errado.
Até admito que pode ser bem o caso...
Prova-me....
Prova-me o contrário.
Prova o sabor dos meus lábios e diz-me....
diz-me que não os queres voltar a provar.

É pura divagação, é certo
imagens construídas de ilusão
que furam e perfuram a alma inerte.

O slam é glam que se sente na pele,
dela, dele,
cheio de vibração,
emoção que toca e fica...
ou talvez não...
ou talvez não...

Bem, creio que não me devo alongar
em tamanha explanação.
É o slam e como tal não necessita de apresentação.

Vamos terminar com mais uma bombinha???
vaaaaaaaamos.....
ou não...
Seria tão fácil.
Não crês?


Saturday, September 11, 2010

Procuro-me...



O que é feito de mim?
Alguém me viu por aí?
Procuro pela imagem que um dia fui...
Fui visto pela última vez a ouvir uma melodia perdida
e... Perdi-me...
Por aí sem encontrar rumo.
Era um jovem jeitoso para alguns,
desastrado para outros
e monstro para tantos mais.
Já não importa, era simplesmente outro.

Peço... Se alguém me viu, que me avise...
De preferência antes vivo que morto.

Oiçam, oiçam.
Procuro a minha pessoa.

Gosto de música, ecléctica para mim,
tontinha para outros.
Gosto de coisas boas sem saber bem o que elas são.
Frequentemente incompreendido... Perdido.
Perdi-me.
Procuro-me. Viste-me?
Avisa por favor se me viste.
Estás-me a ouvir?
Avisa-me por favor.
Avisa-me por favor.
Avisa-me.


Thursday, September 02, 2010

Escrever...

Neste momento muito poderia escrever,
a respeito do que sinto e vivo sem me poder conter.

Opto, por aquilo que melhor fala por mim.
Mantenho-me em silêncio.


Wednesday, September 01, 2010

Lamechice pegada com traço de um passado distante... ou não...



Quis-me aproximar de ti,
dizer-te o que sentia
sem que isso fizesse sentido
ou tivesse objectivo algum.

Quis te tocar,
algo outrora tão familiar,
hoje não mais do que uma remota memória.
E porque raio continuas a viver em mim?

Quis te matar dentro de mim
mas tu mantens-te viva
e eu não te quero morta.
Quero-te... viva e feliz.

Anseias por uma felicidade
que teimas em a viver de uma forma fugaz
em pequenos balões de ar
E foges, foges, foges sem parar.
Como podes então ser feliz?

Felizes todos aqueles que vivem sem arriscar
dar o salto no abismo que se prostra aos pés
sem pensar no que tem a perder.
Não arriscam simplesmente.

Sim é certo que ainda te quero beijar,
ter-te nos meus braços
abraçar-te como se o mundo acabasse amanhã
mas o destino e o caminho estão selados.

Não que não se pudesse lutar contra o mesmo,
Seria apenas puro desgaste e desperdício.
Roeste a corda,
eu abri a mão.

Facada atrás de facada,
podem por momentos desviar-me do meu rumo
mas o destino está traçado
e por mais voltas que dê... lá... irei chegar.

Mataste-me ao deixar de ler as minhas letras,
Mataste-me ao te afastar
Mataste-me ao não lutar
Mataste-me por simplesmente... não acreditares.

Não te culpo ou julgo por tal,
Tinhas de facto razão ao dizer que o tempo te deu razão.
Agora dou-te eu também a mesma.
Como posso ficar eu com alguém que abre mão de mim?

Caminhamos para mais um amontoado de pueril sentimentalismo...
Como é idiota este meu lado,
Amaldiçoo-o e desprezo-o.
Não és nem nunca foste tu que me matas,
mas sim ele.

Tudo é tão confuso,
Quero-te junto a mim,
Quero-te longe.
Não sei o que quero.

Mais de metade das vezes não sei o que fazer.
Apenas sei que quero o teu bem.
Como tal, afasto-me
e resumo-me à minha insignificância.