Sunday, April 02, 2017

Quero saber de ti...


Quero saber de ti!

Conta-me o que quiseres contar.

Diz-me o que quiseres dizer.

Eu vou-te ouvir.
Image from Chaosfissure

Sunday, January 22, 2017

Novos começos

Sou assim.
Um bocadinho para o parvo até.
Espalho pedaços de mim aqui e acolá
sem razão aparente.

Sente.
Ouve.
Mas não digas. 
Refém.

Não convém que a palavra seja incómoda,
cheia de contexto ou sentimento. 
O ser recusa-se sentir.
Ouvir.
Viver.
Ter.

Ter a certeza que o dia de ontem passou
o de hoje é presente, 
e que por muito mau que tal fosse, 
amanhã será um novo dia.
Mesmo que esse dia seja igual ao de hoje...
Ao que passou antes...
Ao que irá ser. 

Mas é tudo ilusão. 
Não existe crença quando a falta de fé se apresenta.
Contenta o sentimento com um prazer imediato.
Esgota os fundos negros da tua alma.
Limpa-a.... e começa de novo.

Ouço.
O que tens para me dizer. 
Por muito que me doa...
...ouço.

E a puta do manual que está por escrever, 
desta bíblia que é a vida.
Brotam-nos para fora desse buraco sangrento 
e abandonam-nos sem a mínima preparação.
Ilusão.
Continuação...
... do passo
que segue um após outro
outro após um
num movimento perpétuo
uno.

Pára 
Respira.

Inspira.
Expira...

Mais calmo?

Então comecemos outra vez.
Photo by: FireflyPhotosAust

Friday, January 13, 2017

Vida

A vida não é mais do que um estúpido exercício fútil
para nos provarem que não temos razão.

Monday, December 05, 2016

Vês


Eram lágrimas não vertidas
aquelas que jorravam impregnadas 
 e soterradas no silêncio profundo
mergulhado na dor da sua ausência.
A solução para tudo é a remoção,
 o afastamento daquilo que se julga nefasto
quando na realidade não é mais do que sal
à espera de melhor destino distante.
Não quis,
não quero escrever mais
quando a dor da tua ausência é por demais evidente.
A tal ponto que nem sou capaz de disfarçar
nas palavras que deito para fora
pintadas no negro da dor que marca a minha pele
pela ausência do teu toque.
Sinto a tua falta
e não te o posso dizer de outra forma. 
Não quis dizer nada,
mas também não consegui dormir. 
E o dia é mais um que se passa longe de ti
quando eu te quero aqui, 
beijar-te,
tocar-se,
sentir-te,
sem nunca te perder de vista
onde juntos somos felizes, 
sem hipocrisias.
Dói-me a tua distância.
E a chuva lá fora grita o que sinto
E aqui me quedo 
sem vergar ao sono, 
à espera de algo.
O que sei não importa o quê
aproxima 
destila
e amo.
Morro, 
mas não quero.

Vou-me deitar.... 
enquanto posso...
pois os olhos não conseguem ver o sonho
talvez real,
talvez cruel,
talvez feliz.
É a minha vez.



Photo by: Hclemon

Tuesday, March 01, 2016

Cura

Longe vai o tempo em que escrevia horas a fio
frases, letras, palavras
exploradas ao milímetro
de fio a pavio 
sem que nexo entre elas exista como meio de ligação
a um ser eterno 
que existiu não mais do que na imaginação
de um ser imberbe levado da breca
sem que a sua inocência se perda corrompida 
pela vazia sensação de se pertencer a algo menor à primeira vista
já bem maior à segunda
onde o sentido não regula de acordo com os ponteiros do relógio. 

Algo não está bem.
Mas também não interessa que esteja, 
Ao estar perde-se a sensação de busca. 
Não que tal tenha que existir. 
Tudo em nosso redor não são mais do que meras projeções 
fugazes de fogo imaginadas
convertidas em pedra 
pinceladas de emoções 
muitas vezes desconhecidas do próprio ser. 

Óbvio que tudo se mantêm na mesma
dados que os valores vácuos se conteúdo 
continuam a reinar
sem controlo da razão toldada por tolos
que não querem mais do que bolos e pápas. 

"Mete sal!" 
Grita a toda a voz
para se livrar do mal
que aqui está e nada faz. 

Fede sem se ver, 
fere sem arder
até que não sobra mais do que o simples perder
foder
a doer ou não
diz a razão ignorante da emoção.

Foi bom, não é?
Será.

E sára. 
Porque para tudo há cura!

by: ephemeraldelusion

Wednesday, September 30, 2015

Monday, March 09, 2015

Fósforo


Papel e caneta.
Objectos em desuso 
outrora elementos basilares 
de uma civilização hoje decrépita 
e sem crédito 
fruto dos pobres valores sociais 
morais 
e acima de tudo pessoais...

Mas porquê???
Porque te tornaste assim???
não foi no momento em que te vi
porque aí 
já tu estavas assim 
inerte ao que te rodeia 
te sufoca 
sem dares por ela
estás morto
e feliz da ignorância 
que te passou ao lado 
nesse jeito gingão
e acéfalo que te é característico.

És podre 
tal como a tua vida vazia de significado 
onde as horas passam 
da mesma forma que os minutos 
os anos 
décadas e segundos 
de letargia deficiente
inerte às ondas da civilização... lol..
uma seguida da outra...

A vida é um fósforo
e tu
ardeste.

Image By: KWLynch


Saturday, January 24, 2015

Parar

Existem questões que nos assolam
sem para que tal haja razão 
e tão pouco resposta
sem que nova dúvida se imponha
no lugar outrora ocupado pela certa
que não era mais do que dois dedos de conversa
pensada intensa
mas só os que sentiram
se tocaram 
a um ritmo indefinido de cordas
por entre notas
que tocam no fundo
sem no fundo saberem
que não podem dizer 
aquilo que os olhos não viram. 

E por entre a brecha da janela
entra o sol 
que confessa o seu crime
de ausência da lua
que ainda agora estava ali. 
Veio a luz
tocar na escuridão
para o breu retirar
sem sequer vacilar
respirar talvez
até que algum dia é de vez.

Vês o que me fazes escrever...
O medo presente
na mente dormente
mas mente
sem que te apanhem 
na entranha visceral 
da tua dor viral
causada pelos teus actos vãos 
julgados de valor
de amor algum
que alguma vez esteve entre a  gente.

Tocam as badaladas 
que abalam o inspira-expira
da data.
Não ata, nem desata.
Atrapalha a vida
onde ele acreditava ser o herói
e não era mais que o vilão de si mesmo.

Entre o tic e o tac
vai o debate acalorado de quando acabar.
Até ao momento, 
altura,
tempo, 
minuto, 
segundo, 
em que mais não há mais
do que parar. 

E como tal, 
Parou.

photo by:

troyek



Sunday, January 18, 2015

Olá...

Olá Pietro, 
Olá Ana, 
Olá Tânia, 
E porque nunca escrevo nada
neste momento estou a escrever. 
Não para dizer muito, 
Ou então talvez apenas com o pouco dizer
tudo dizer. 

Olá. 

Olá e Obrigado.

Obrigado. 

Não de escrever, 
porque como disse escrevo porque assim tenho necessidade, 
é compulsivo
e quando o faço não consigo parar. 
Dizer nada e tudo dizer, 
colocando mil palavras e sair daí 
um simples mundo de nada
que por vezes ata
e não desata
escrita de acta
escrita com nata
naquela data
que empata
do fruto maduro colhido antes de tempo
em que nada existia, 
tudo esta incluído, 
vazio e sem sentido, 
mas sentido com tudo. 

Tudo incluído.

Assim foi escrito, 
assim foi dito
e assim foi esquecido.

Atónito e perdido.

Até que se fez silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!


photo by: Olupur

Monday, December 08, 2014

Fodei-vos

Diz-se que é importante manter a coisa saudável.
Nós, pó de estrelas
que por alguma razão ainda por conhecer
nos encontramos num aglomerado de massa
frequentemente amorfa e inerte
na nossa inútil visão 
onde cada acto tem a importância relativa e fechada em si mesma.

Anda fazer o não sei o quê
sem que se saiba o objectivo
onde o prazer é diminuto 
no seu infinito vazio de ser
 a preencher com a matéria etérea 
em pouca ou nada tangível.

Pena de seda 
que te toca e envolve
sem que sintas o que te esmaga a cara
aperta o coração 
e te impede de viver. 

O medo que não te abandona,
preso a teu pé como uma algema
em formato de bola de ferro. 
O querer mover sem poder sair do mesmo sítio em que te encontras. 

Merda para tudo isto, 
sendo que a merda é obra prima da pessoa
que tudo amaldiçoa  e nada faz para a limpar. 

Inútil pedaço de esterco
que nem para cultura de vegetais serves.
Já o és na brilhante forma cinzenta de ser.

Laptop ao colo, 
calças em baixo, 
crias no meio daquilo que és.

Vontade de rebentar com tudo
e saber que tudo fica na mesma,
Apertado pela auto imposta prisão
de opressoras grades invisíveis, 
sem possibilidade de fuga aparente
e no entanto ali está... presente
envenenado pelas vicissitudes que se impõem 
sem qualquer forma de respeito pelo ser
que se alguma vez o feio, 
não mais o é.
 
Simplesmente... perdido.
 
Fodei-vos.
 
Fodei-vos
 
Fodei-vos hipócritas de merda
perdidos no mundo Pepsodente
onde na era da aldeia global
a distância não é mais do que um clique
vivem imersos numa ilusão de conectividade
onde a distância entre seres não poderia ser maior.

Por isso... 

Fodei-vos...

Simplesmente Fodei-vos.

Photo by: Rotor