Terça-feira, Maio 01, 2012

Semente



Por entre os canais de comunicação
onde a fala se perde
a palavra se eleva
a frase destrói
a rima confunde
o sentimento se funde 
na imensidão que é o vazio
preenchido por todo aquele espaço
ocupado pelo nada dentro de todos nós.

Ouve a nossa voz
como se nada mais fosse preciso 
para nos encher
desse sentir a que muitos chamam de viver.

Porque perder o que nunca se teve
e não se sabe o que se quer.
Querer 
perder 
o poder 
que nunca teve
ou deteve 
sem margem para dúvidas 
hesitações
ou tentações.

Toca-me aqui
apenas para ver se ainda sinto.
As terminações nervosas 
de quem nada termina
plantando a próxima mina
na esperança de uma vida colher.

Pede um pensamento de louvor 
ao temor imperante
reinante que reina 
em terreno de Rei posto
Rei deposto
em busca de coração perdido.

Puro lapso
elevado ao pequeno salto
que nunca deu pelo medo de tropeçar no invisível
indivisível pelo próprio ser. 

Foi fruto de uma miragem que se colocou ao dispor 
de quem veio, viu e venceu
dispôs e colheu o que semeou.

Cuidado com as sementes que plantas.

Quinta-feira, Março 22, 2012

Poema da Sunce


photo: zacaria

Eu gostei de um post
Roubei-lhe o pc
e ela não gostou.

Não faz mal...
eu gosto dela à mesma.

Terça-feira, Março 06, 2012

Vislumbre de uma escuridão luminosa


Para se escrever
é sempre necessário haver um tema
por muito que se tema o que é escrito
ou simplesmente vivido 
sob a vazia casca a que muitos chamam de vida.

Ida fina e tão pouco segura de si mesma
reflecte as ausências do ser que outrora ocupou o seu corpo.
Morto por agora,
vivo ao dia de ontem.

Permanece um indecifrável mistério
a razão para tamanha confusão. 
E eu que pensava que era apenas da minha cabeça.
Se bem que já apresenta algumas dificuldades
em juntar o B com o A para formar o BA.
E não é o BA de Batman 
ou Batwoman 
que por vezes se confunde com o Bate-me uma.

Tão brejeiro que ele é
e em igual grau preocupado com tal, 
como se me pagassem para olhar para o que escrevo
como digo e aconteço. 

Na sombra permaneço 
sem prestar atenção 
ao errante alheamento da nação
vagueando na noção 
do "eu sei o que é o melhor para ti"
Toca aqui!

Torna-se fácil desarmar as mentes nuas
que percorrem as ruas 
do alto das suas andas
e tão baixo caminham
por entre a podridão 
aludindo-se à ilusão 
de tamanha pseudo-elevação.

Não há tempo a perder
enquanto pensaria no que fazer
sem encontrar resposta 
à demanda que se colocava
subtilmente colada
à aleatoriedade
de tamanha vontade
que recusava vergar 
perante impressionante demonstração de inutilidade.

Diga-se o que se disser
o entendimento e perfeição
apenas se encontra ao dispor dos néscios hipócritas
que encontram nas orações 
que negam a pés juntos fazê-las
a resposta à questão imperatriz, 
matriz dorsal do momento presente.

Responde a verdade.
Não para mim. 
Simplesmente para ti.
Tu? 
O que fazes aqui?

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2012

Sinapses em curto



Ideias parcelares
feitas de parcelas de seres desconexos
que adoram brincar às ligações.

Agora ligo aqui,
agora ali,
agora... 
ah... não dá.

Percebi desde o primeiro momento que te vi.
Algo se ia passa.

Por detrás desse olhar
que não fala e tudo diz
jaz o segredo da ilusão.
Uma imagem divina que se projecta 
levada à exaustão 
de uma mente que se julga maior
que a sua real dimensão.

Eternas verborreias 
levadas ao extremo
de um rumo errante
errado por nunca ter tentado.
Ultrapassar a barreira desfeita
pela persistência da alma que ignora 
o que a espera ao virar da esquina.

Termina por nada dizer
nada fazer
tudo a ver
e nada mais do que o focus no verbo ter.

Lamentamos o sucedido!
Palavras vãs
ausentes de sentimentos dignos de tal nome.

Não importa se o que escreveu faz jus ao que se pensa.
A atitude de quem marcou o ritmo 
sem dar conta do passo passado na penumbra
passada na presença de sua excelentíssima ausência.

Encontro marcado à hora certa. 
Frágil sombra do seu ser.
Poder sem saber que fazer.
Nem me apetece sujar as folhas de tinta,
que segundo alguns 
não mais seria do que a fotografia
de parte destas sinapses
num eterno estado de curto-circuito.
E insisto nisto, cujo o objectivo é... nenhum.

Insisto novamente e digo... nenhum.
É giro, dizem.
Marca de quem não quer ver
o que é visível aos olhos de todos. 
É bem mais fácil acreditar no que é mais cómodo,
sem causar por certo grande incómodo.
Venha daí esse grande, belo e confortável sofá 
que alberga o comodismo mental.
Pensar dá muito trabalho. 
Pensam-no sem o dizer.
Ou será que o dizem sem pensar?
Na realidade a diferença não é significativa. 
O importante é uma pessoa se divertir
e rir, rir sem parar.

Porque se um dia o relógio para...
Tudo fica parado.
Fixo.
Parado.
Esbarrado.

Não.

Parado mesmo.
Parado.
Parado.

Parado.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012

Estrada de cimento





Penso no pensamento

que me sai da mente
umas vezes presente
outras doente
sendo que nas demais 
encontra-se simplesmente ausente.

Pede perdão
como quem passa por ele
não lhe toca
mas simula
emula sem o fogo sequer arder.
Arde no vento
que por momentos lhe tocou
abanou em tempos de loucura
tornada doçura
coberta de uma leve amargura.

O dilúvio de ideias
e ilusões
vendidas ao desbarato
remediadas daquilo que remediado está
mesmo sem haver remédio
para a maleita que deleita
o doente ausente daquilo que foi a sua saúde de ferro,
hoje gesto terno
coberto de um eterno
inferno.

Outono perdido
coberto de cimento
num inverno sem fim.

Cheguei mesmo a temer por aquilo que nunca fui
e no final fiz.

Diz a lenda que já bem mais faltou
para tão temível bis,
desenhado a giz
onde da ardósia apenas resta a memória.

Hoje a luz substitui a pedra negra.

Foi apenas mais um ponto,
no teatro da vida
que segue sem parar.
Se é que alguma vez começou...

Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

Signo do sol



Perdido por entre o sentimento
da tua ausência presente
gera-se o entorpecimento das extremidades
que ainda há tão pouco tempo se perdiam nas tuas.

É a distância que nos une
e reforça aquilo que a razão 
por vezes nublada que distorcer
cobrindo de floreados desnecessários
à vivência sob o signo do sol
mesmo que durante o dia
pareça que seja a lua quem reina.

Reina o que há para reinar
permitindo e alimentando o ego
do egoísta ser
que para ontem tudo quer
sem querer ferir ninguém,
Apenas alimentar
a sua própria sede de calor humano
que tantas vezes escasseia a seu redor.

É louvor que fica sem ser dito
quando na realidade 
deveria mais era ser gritado
não escutado
mas sim ouvido por todo o mundo.

Não querem saber.
Tão pouco o têm
sendo caricato o posterior lamento do tipo
"Ah e tal, eu não merecia isto..."

Já mê pai diz
algo que dêle dzia
"Boa cama fazes
Boa cama te dêtas"

O meu pai é uma pessoa reservada no que toca a opiniões. 
Mas sempre que ele me dizia isto,
eu.... tremia. 
E perguntava-me sempre
"Oi... o que é que será que estou a fazer de errado?"

E a tua cama?
É fofinha?

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Divisão



O que achas de irmos até à outra divisão
despir as nossas roupas
e jogá-las para o chão?

Sábado, Novembro 12, 2011

Sombra de um ser


Sou a sombra 
daquilo que eu sou 
porque deixei de ser 
o que nunca fui.

E se me perguntassem
porque nunca foste
o ser que já não és
não serias tão ou mais 
completo do que aquilo que nunca tiveste?

Seria por certo algo mais
daquilo que não creio
sem saber o que sabia
sabendo que sei
um dia morrerei
mas de voz plena
e peito aberto cantei.

Jamais me perguntes
qual a questão
para a qual não queres ouvir a resposta
sob pena de penares
sem saber o que eu sei
sendo que o que eu sei
é tudo mais ou menos que nada
que em nada se esvai.

Num momento tudo é,
num momento tudo foi
num momento tudo será
aquilo que nunca foi
para ser tornar naquilo que continua a não ser.

A sombra de um ser.

Quarta-feira, Setembro 07, 2011

Boa Noite



Um resto de boa noite aos presentes
ausentes
transeuntes
Pessoas que fizeram parte da minha vida e se foram
Estranhos que nunca o fizeram e agora estão
A ti que me deste a mão
A ti que me a negaste
A ti que eras fostes e és quem és apenas porque sim
Tu que lutas de uma forma surda
Tu que ouves e não lês
Tu que lês e não dizes
Tu que és mas fazes crer que não
Tu que simplesmente existes
Tu que pintas os meus dias
porque sem ti não sei viver
e ao mesmo tempo sei mas não o digo
finjo que não apenas para te ter aí
Tu que ainda ai estás e lês,
porque tu sim o mereces...
Apenas tenho mais uma coisa para te dizer:
O resto de uma boa noite.

"Like two strangers turning into dust
Til my hand shook with the weight of fear"