Wednesday, July 26, 2017

Poderia matar...

Muitas vezes escrevo sem saber o que dizer. 
Da mesma forma que por vezes ponho-me a falar aquilo que nunca imagino escrever. 

Sentir 
Dizer
Ouvir
sem despir
ou carpir
a vã notícia 
que vim anunciar
num canal oculto
à vistas de todos. 

Senti a tentação de caminhar pelo trilho
que me conduzia a um destino incerto...
Como se conseguisse ver o futuro...
E no fundo não é mais que um furo
na folha onde está desenhado
o rumo ainda por definir.
Definido a cada passo marcado ao ritmo de cada acção
vazia ou repleta de emoção...

Irrelevante. 

Consoante a escolha
direita ou esquerda
esquerda ou direita
para cima
para baixo
rodopio sem fim
forma sem definição
passada vazia de coração. 

Coração que bate sem se ver
sente-se sem se viver
enquanto nos alheamos daquilo que nos rodeia
rebela e revela.

A emoção...
desprovida de razão
escrever sem se ver
quem se vai tocar, ferir ou até matar....
Como se as palavras pudessem matar...
às vezes... antes fosse.
picture by: dariokormanjec

water drop

In the end
we are nothing
but a water drop
in the ocean.

Picture by:v3n0mx92


Sunday, April 02, 2017

Quero saber de ti...


Quero saber de ti!

Conta-me o que quiseres contar.

Diz-me o que quiseres dizer.

Eu vou-te ouvir.
Image from Chaosfissure

Sunday, January 22, 2017

Novos começos

Sou assim.
Um bocadinho para o parvo até.
Espalho pedaços de mim aqui e acolá
sem razão aparente.

Sente.
Ouve.
Mas não digas. 
Refém.

Não convém que a palavra seja incómoda,
cheia de contexto ou sentimento. 
O ser recusa-se sentir.
Ouvir.
Viver.
Ter.

Ter a certeza que o dia de ontem passou
o de hoje é presente, 
e que por muito mau que tal fosse, 
amanhã será um novo dia.
Mesmo que esse dia seja igual ao de hoje...
Ao que passou antes...
Ao que irá ser. 

Mas é tudo ilusão. 
Não existe crença quando a falta de fé se apresenta.
Contenta o sentimento com um prazer imediato.
Esgota os fundos negros da tua alma.
Limpa-a.... e começa de novo.

Ouço.
O que tens para me dizer. 
Por muito que me doa...
...ouço.

E a puta do manual que está por escrever, 
desta bíblia que é a vida.
Brotam-nos para fora desse buraco sangrento 
e abandonam-nos sem a mínima preparação.
Ilusão.
Continuação...
... do passo
que segue um após outro
outro após um
num movimento perpétuo
uno.

Pára 
Respira.

Inspira.
Expira...

Mais calmo?

Então comecemos outra vez.
Photo by: FireflyPhotosAust

Friday, January 13, 2017

Vida

A vida não é mais do que um estúpido exercício fútil
para nos provarem que não temos razão.

Monday, December 05, 2016

Vês


Eram lágrimas não vertidas
aquelas que jorravam impregnadas 
 e soterradas no silêncio profundo
mergulhado na dor da sua ausência.
A solução para tudo é a remoção,
 o afastamento daquilo que se julga nefasto
quando na realidade não é mais do que sal
à espera de melhor destino distante.
Não quis,
não quero escrever mais
quando a dor da tua ausência é por demais evidente.
A tal ponto que nem sou capaz de disfarçar
nas palavras que deito para fora
pintadas no negro da dor que marca a minha pele
pela ausência do teu toque.
Sinto a tua falta
e não te o posso dizer de outra forma. 
Não quis dizer nada,
mas também não consegui dormir. 
E o dia é mais um que se passa longe de ti
quando eu te quero aqui, 
beijar-te,
tocar-se,
sentir-te,
sem nunca te perder de vista
onde juntos somos felizes, 
sem hipocrisias.
Dói-me a tua distância.
E a chuva lá fora grita o que sinto
E aqui me quedo 
sem vergar ao sono, 
à espera de algo.
O que sei não importa o quê
aproxima 
destila
e amo.
Morro, 
mas não quero.

Vou-me deitar.... 
enquanto posso...
pois os olhos não conseguem ver o sonho
talvez real,
talvez cruel,
talvez feliz.
É a minha vez.



Photo by: Hclemon

Tuesday, March 01, 2016

Cura

Longe vai o tempo em que escrevia horas a fio
frases, letras, palavras
exploradas ao milímetro
de fio a pavio 
sem que nexo entre elas exista como meio de ligação
a um ser eterno 
que existiu não mais do que na imaginação
de um ser imberbe levado da breca
sem que a sua inocência se perda corrompida 
pela vazia sensação de se pertencer a algo menor à primeira vista
já bem maior à segunda
onde o sentido não regula de acordo com os ponteiros do relógio. 

Algo não está bem.
Mas também não interessa que esteja, 
Ao estar perde-se a sensação de busca. 
Não que tal tenha que existir. 
Tudo em nosso redor não são mais do que meras projeções 
fugazes de fogo imaginadas
convertidas em pedra 
pinceladas de emoções 
muitas vezes desconhecidas do próprio ser. 

Óbvio que tudo se mantêm na mesma
dados que os valores vácuos se conteúdo 
continuam a reinar
sem controlo da razão toldada por tolos
que não querem mais do que bolos e pápas. 

"Mete sal!" 
Grita a toda a voz
para se livrar do mal
que aqui está e nada faz. 

Fede sem se ver, 
fere sem arder
até que não sobra mais do que o simples perder
foder
a doer ou não
diz a razão ignorante da emoção.

Foi bom, não é?
Será.

E sára. 
Porque para tudo há cura!

by: ephemeraldelusion

Wednesday, September 30, 2015

Monday, March 09, 2015

Fósforo


Papel e caneta.
Objectos em desuso 
outrora elementos basilares 
de uma civilização hoje decrépita 
e sem crédito 
fruto dos pobres valores sociais 
morais 
e acima de tudo pessoais...

Mas porquê???
Porque te tornaste assim???
não foi no momento em que te vi
porque aí 
já tu estavas assim 
inerte ao que te rodeia 
te sufoca 
sem dares por ela
estás morto
e feliz da ignorância 
que te passou ao lado 
nesse jeito gingão
e acéfalo que te é característico.

És podre 
tal como a tua vida vazia de significado 
onde as horas passam 
da mesma forma que os minutos 
os anos 
décadas e segundos 
de letargia deficiente
inerte às ondas da civilização... lol..
uma seguida da outra...

A vida é um fósforo
e tu
ardeste.

Image By: KWLynch


Saturday, January 24, 2015

Parar

Existem questões que nos assolam
sem para que tal haja razão 
e tão pouco resposta
sem que nova dúvida se imponha
no lugar outrora ocupado pela certa
que não era mais do que dois dedos de conversa
pensada intensa
mas só os que sentiram
se tocaram 
a um ritmo indefinido de cordas
por entre notas
que tocam no fundo
sem no fundo saberem
que não podem dizer 
aquilo que os olhos não viram. 

E por entre a brecha da janela
entra o sol 
que confessa o seu crime
de ausência da lua
que ainda agora estava ali. 
Veio a luz
tocar na escuridão
para o breu retirar
sem sequer vacilar
respirar talvez
até que algum dia é de vez.

Vês o que me fazes escrever...
O medo presente
na mente dormente
mas mente
sem que te apanhem 
na entranha visceral 
da tua dor viral
causada pelos teus actos vãos 
julgados de valor
de amor algum
que alguma vez esteve entre a  gente.

Tocam as badaladas 
que abalam o inspira-expira
da data.
Não ata, nem desata.
Atrapalha a vida
onde ele acreditava ser o herói
e não era mais que o vilão de si mesmo.

Entre o tic e o tac
vai o debate acalorado de quando acabar.
Até ao momento, 
altura,
tempo, 
minuto, 
segundo, 
em que mais não há mais
do que parar. 

E como tal, 
Parou.

photo by:

troyek