Monday, December 05, 2016

Vês


Eram lágrimas não vertidas
aquelas que jorravam impregnadas 
 e soterradas no silêncio profundo
mergulhado na dor da sua ausência.
A solução para tudo é a remoção,
 o afastamento daquilo que se julga nefasto
quando na realidade não é mais do que sal
à espera de melhor destino distante.
Não quis,
não quero escrever mais
quando a dor da tua ausência é por demais evidente.
A tal ponto que nem sou capaz de disfarçar
nas palavras que deito para fora
pintadas no negro da dor que marca a minha pele
pela ausência do teu toque.
Sinto a tua falta
e não te o posso dizer de outra forma. 
Não quis dizer nada,
mas também não consegui dormir. 
E o dia é mais um que se passa longe de ti
quando eu te quero aqui, 
beijar-te,
tocar-se,
sentir-te,
sem nunca te perder de vista
onde juntos somos felizes, 
sem hipocrisias.
Dói-me a tua distância.
E a chuva lá fora grita o que sinto
E aqui me quedo 
sem vergar ao sono, 
à espera de algo.
O que sei não importa o quê
aproxima 
destila
e amo.
Morro, 
mas não quero.

Vou-me deitar.... 
enquanto posso...
pois os olhos não conseguem ver o sonho
talvez real,
talvez cruel,
talvez feliz.
É a minha vez.



Photo by: Hclemon

Tuesday, March 01, 2016

Cura

Longe vai o tempo em que escrevia horas a fio
frases, letras, palavras
exploradas ao milímetro
de fio a pavio 
sem que nexo entre elas exista como meio de ligação
a um ser eterno 
que existiu não mais do que na imaginação
de um ser imberbe levado da breca
sem que a sua inocência se perda corrompida 
pela vazia sensação de se pertencer a algo menor à primeira vista
já bem maior à segunda
onde o sentido não regula de acordo com os ponteiros do relógio. 

Algo não está bem.
Mas também não interessa que esteja, 
Ao estar perde-se a sensação de busca. 
Não que tal tenha que existir. 
Tudo em nosso redor não são mais do que meras projeções 
fugazes de fogo imaginadas
convertidas em pedra 
pinceladas de emoções 
muitas vezes desconhecidas do próprio ser. 

Óbvio que tudo se mantêm na mesma
dados que os valores vácuos se conteúdo 
continuam a reinar
sem controlo da razão toldada por tolos
que não querem mais do que bolos e pápas. 

"Mete sal!" 
Grita a toda a voz
para se livrar do mal
que aqui está e nada faz. 

Fede sem se ver, 
fere sem arder
até que não sobra mais do que o simples perder
foder
a doer ou não
diz a razão ignorante da emoção.

Foi bom, não é?
Será.

E sára. 
Porque para tudo há cura!

by: ephemeraldelusion