Tuesday, August 16, 2022

Valor

 O mundo às vezes é um sítio fascinante
Onde por vezes os outros dão todo a valor
a coisas que nós não damos nenhum.


pic by:nexumorphic

Sunday, July 31, 2022

Carta ao meu pequeno eu

 Desculpa-me.
Desculpa-me não ter conseguido estar para ti,
Como queria.

És apenas uma manta de retalhos, 
(mas uma linda manta de retalhos)
E limitaste-te a fazer o melhor que eras capaz.
A culpa não é nem foi tua.
Não sabias como lidar com aquilo.
Não sabias como te proteger.
E tudo o que fizeste foi sobreviver.
Pouco importa se aquilo que aqui expresso está bem escrito ou não.
O importante é escrever
Pois só assim consigo falar com o meu pequeno eu.

A vida vai continuar a dar-te razões para alimentares a ideia que merecias.
Por favor acredita em mim quando te digo que és mais forte do que pensas.
Por um lado podes pensar que estás sozinho, 
mas embora não me vejas estou para ti,
em particular naqueles momentos em que não vires ninguém em teu redor.
Dar-te-ei aquele abraço que precisas 
e ninguém se apercebe de tal.
Pensam que tudo aguentas e que não sentes como os demais.
Mal eles sabem que sentes bem mais que todos eles juntos...

És um ser maravilhoso e nunca te esqueças disso.
Principalmente quando não o sentes...
Mas eu sinto, 
Porque tu és eu e eu sou tu.
Passado, presente, num só.
Por muito que o dia de hoje possa ter sido negro,
amanhã será apenas mais um,
onde só de ti depende o que farás do mesmo.
 

pic by:tomtc

Tuesday, June 14, 2022

O saco

 Por muita resistência que o saco de boxe possa ter
aos socos
aos pontapés
aos maus-tratos
à dor
Um dia ele rompe-se.

 

pic by:n647

 

Monday, March 21, 2022

A parada do parado

 Por um momento
as palavras leva-as o vento
na certeza do firmamento
com a firme certeza 
da corteza afirmação
onde apenas na imaginação
foi cortês na esperança da sua absolvição.

Mas não deixes por um momento
que a tua certeza abale ou vacile
sem sequer um fundamento
que envolve o teu lamento
lento
e ao relento
com pouco alento
neste ritmo arritmico 
onde com o meu jumento
me sento.

Sento
Páro 
Penso 
Medito
Reflicto
me encontro
E canto
no meu canto redondo
de onde volto e torno a voltar
tal como a volta da vida
que vive a voltar.

Paro.

Oprimido pela ignorância
ou precisamente pelo oposto
pelo tudo ver
e permaneço inerte...
sem saber o que fazer.

Este constante para-arranca
que regularmente desanca
sem apelo ao parafuso que jaz na anca
perdura e dura
não só o é como se faz
pinta-se 
até que se torna parte si
sem que o si soubesse o que fosse
embora pensasse que sim.
 
No fundo, 
É aí que reside o problema.
Pensar que se sabe
sem encontrar a humildade
que é uma pessoa simplesmente estar errada. 
 
Para.
Respira.
Aprende.
Não há mal nenhum.
E se tiveres capacidade
É apenas uma forma de aprenderes.
 
Pic by: borda

Tuesday, November 02, 2021

A eira da beira ribeira teima

 Sou poeta fingidor
que finge sem saber.
 Pode até nem me apetecer
mas quando posso viro pintor
  jogo tinta em forma de palavras
de forma aleatória
e exploratória
sem que de alguma forma explane
o que realmente quero dizer. 
 
E vivo assim, 
perdido no meu sentimento
decorado de pensar. 
Penso no momento.
O que é 
o que foi
e o que estará para vir.

Sobre... penso.
 
E com isso fico propenso
ao seguimento do barco
que ruma desgovernado
sem skipper 
nem redentor.

Fico... perdido na esteira
Sem eira 
nem beira.

Livre.

À deriva...

E tenho que derivar
sob o risco de estagnar.
Tamanho portento
digno de um rebentamento.

È o ontem
o amanhã 
e por fim o agora.

E agora?

Agora?

Vira a página
e segue rumo ao sol poente.

pic by:frequenzlos



Thursday, May 27, 2021

Aries

 Não. 
Não escrevi mas gostaria de ter escrito. 
Não.
Não desenhei mas gostaria de ter desenhado.
Não. 
Não disse mas gostaria de ter dito,
um dito, 
um conto, 
um parágrafo,
um ponto...
não sei se seria um ou um e uma vírgula.
A pontuação faz toda a diferença
por muito que digam que não. 
E eu insisto.
Até que digam sim,
ou simplesmente desisto.
Mas não resisto ao destino fadado
talhado e retalhado
à medida do fato que me veste
assenta 
e me cobre
sem cobrar afecto
mas fazendo-me sentir quente.

Poderia vir de oriente
ou poente. 
Mais não me poderia ser indiferente
por muito que fosse diferente.
No final dizem todos o mesmo
e aí da ovelha tresmalhada que saia do rumo.

Sou Carneiro
não ovelha.
Obstinado, 
teimoso
e pleno de coração.

photo by: vera-chimera

Sunday, April 11, 2021

O nojo que por vezes me dá ser humano

Não quero me fechar em mim
Mas sim em ti.
O mundo lá fora assusta-me
ao contrário dos teus braços que me protegem
deles...
de mim.

Se ao menos eles soubessem as consequências dos seus actos
as agressões gratuitas
as feridas que abrem
os danos que causam...

Porque será tão difícil procurarem
ou pelo menos tentarem ser melhor seres humanos?
É tudo a apontar armas em menos de nada
para depois se queixarem que foram agredidos.

Porque será?
Porque será?

É tão claro e não o conseguem ver.

Porquê?
Porquê?
Porquê?

Wednesday, February 17, 2021

Rambles of the mad king

The art of parting like a madman sitting in the throne with the pants down!
Unfuck the world. 
Word!
 
pic by: vimark

Tuesday, September 22, 2020

O mundo a Oeste

Passo dias, meses, anos sem escrever nada por aqui. 
Parece que é sempre naqueles momentos
em que a mente mais presa está que o escrever se torna compulsório
sem apelo nem agravo.
 
Subito querer ofuscado
pelos demais que nem se tocam..
 
"Não é importante"dizem eles
sem que por vezes oiçam a sua própria voz.
Sente-se a vontade,
o querer
entre o partir e o tudo partir.
E parte-se rumo a um novo destino,
uma nova praia, 
uma nova acção,
um novo antro de destruição.

Eu sou o caos, 
a ordem desorganizada,
que em nada manda
mas em tudo sente.
Prepotente, 
coberto nas minhas lágrimas
marcadas pelas dores das minhas chagas, 
e o Pedro que se foda, 
amontoado de clichês andantes.

Quero mais é encontrar o meu querer
sem corromper o meu ser.
Ter mais um momento, 
uma emoção
coberta de ilusão. 
E eu aqui a escrever
enquanto os teus lábios aguardam por mim.

No fundo, 
violent delights 
have violent endings.
 
Picture by: gejda










 

Monday, August 17, 2020

Os meus marretas

 O nome deste blog é não me importa.
 
Hoje importa-me.
 
Tu que eras metade do Statler & Waldorf 
foste agora ter com a tua outra metade.
E eu aqui de forma egoísta aqui fico 
a sentir falta de tudo aquilo que eras, és e sempre serás para mim.
 
Eras e sempre serás uma parte boa da minha vida.
Lembro de ti sempre com um sorriso.
Mesmo quando discutiam
e professavam dessa forma um amor infinito um pelo outro.
 
Hoje sem dúvida a minha vida ficou mais pobre e triste,
mas também acaba o sofrimento
de não reconheceres aqueles que ajudaste a criar
e que são as pessoas maravilhosas que são, 
grande parte pela tua forma de ser...
...estar.
 
Vou sentir a tua falta 
da mesma forma que sinto falta da tua outra metade. 
 
Hoje choro, 
mas também celebro o facto de poder ter feito parte da vossa vida.
 
As vezes que pegava na velha pasteleira do meu avô,
sempre que ia à terra,
a vossa casa era paragem obrigatória.
E sempre, sempre, sempre ali com vocês me senti bem,
me senti desejado
quando o contrário era o sentimento mais normal.
 
Todas as camisas de flanela que me deram quando eu andava na minha fase grunge,
ainda fazem parte da minha memória e do meu espírito.
 
Sempre me acolheram de braços abertos
e nem quando eu fugia das fotos que tanto euas odiava vos impediu de me amarem.
Sempre foram um dos meus portos seguros.
 
As saudades que eu tinha de entrar pela loja adentro com um sentido de propriedade
como se aquilo fosse tudo meu
e vocês sempre me deixando livre com um sentido de naturalidade
como se desde sempre eu fizesse parte da casa. 
 
Não tenho palavras para descrever o que sinto, senti e sentirei por vocês.
De certa forma talvez sem se aperceberem sempre foram de alguma forma o meu tudo
e nada voltará a ser igual. 
 
Talvez eu nunca tenha sido claro por palavras.
Sempre fui mais de actos e acções e vocês sempre me amaram assim.
Também nunca vos disse. 
Mas a verdade é que sempre vos amei,
sempre vos irei amar.

Enquanto conseguir me lembrar
e o destino não me reservar o mesmo fado que guardou para ti
irão sempre ser parte de mim
a que me agarrei com todas as minhas forças.

São sem dúvida umas das melhores partes da minha vida.

Obrigado por tudo aquilo que me deram,
agora e sempre.
    
Novamente juntos,
que possam continuar a ser felizes e a amarem-se,
como sempre o fizeram em vida.
 
Amo-vos!
Os meus Statler & Waldorf 

Picture by: reis1989