Monday, January 10, 2011

Ressaca



Era para ser apenas mais um
no meio de nenhum
como eu
que come do meu
como sendo teu.

As horas seguem passando,
tu já estiveste voando,
passando
e cada minuto que passa mais longe estás.

Respiro um pouco mais
e o teu cheiro ainda presente em mim.
O ti,
o mim,
o nós,
une-se à minha voz,
do que sinto
em ti,
em mim,
em nós,
na voz.

O nós que não gostas
que não é a moscada
embora na Moussaka fique tão bem,
mesmo que a Lasanha quase toda tenha ficado por comer.

É a festa do engorda,
os copos ainda meio cheios,
meio vazios,
depende a perspectiva de quem os vê.
E eu que aqui não te vejo,
fico sem palavras
rodeado do que sinto
que é bem mais que as demais.
As emoções não param...

No entanto o cheiro é o teu.
Eram para ser três ou quatro coisas
num quarto que apenas recorda
do meu corpo sobre teu,
no teu, só meu...
por muito que fosse apenas nesse momento,
apenas...

Quis te fazer uma foto,
mas a foto nunca iria mostrar como os meus olhos te vêem,
como o meu coração te sente,
como a minha mão te toca,
como respiro o teu cheiro,
como a chuva nos acolhe,
a tua boca na minha,
a minha na tua,
a sensação de que cada beijo nos rouba as horas,
que passamos juntos,
bem juntinhos...
Ai essas bandidas que nos surripam um do outro.
Se as apanho....

Quero-te.
Aqui.
Com todos os bla bla blas.

Sem dúvida que o meu sorriso tem um outro brilho à luz do teu olhar.

Wednesday, January 05, 2011

és tu...




Existem mil formas de se dizer o mesmo.

Não apenas em relação ao dizer...
o mesmo conceito se aplica ao fazer.
Escolher a próxima palavra que se diz,
umas vezes coberta de sentimento,
outras não.

É assim que fala a razão, 
a forma como sinto por ti,
bem ali...

Ali bem no recanto só nosso...
As horas perdem todo o seu sentido.
O teu sorriso que me projecta para outra dimensão.
E prossegue o rodopio...
O tempo passa e não pára para te poder beijar ainda mais...
Não me canso e quero ainda mais...
mais...
mais...
e mais...

De ti em mim,
de mim em ti,
onde a fronteira entre o eu e o tu
não é mais do que difusa...
profunda...

A noção do nós
Não pode ser igualmente definida em meras fronteiras
Assim te quero, assim te vivo.

Saturday, January 01, 2011

Slam



É viciante, 
tocante,
puxa-nos
e atrai-nos,
o palco, 
a atenção toda projectada na nossa direcção,
uma ou outra alma por ali perdidas
sem bem saberem ao que vão...
Há de tudo.

Que texto escolher?
Como o recitar, 
o que esperar?

É viciante...

Passo de coragem
rumo à dupla exposição
a pessoa....
o texto...
os dois em um
onde tanto um como o outro alteram o estado,
a forma, 
a apresentação,
raramente ausente de emoção. 
Mais que não seja a adrenalina que corre nas veias,
Desses momentos de glória ou inglória.
Sempre o suspense...

Irão gostar?
Assobiar?
Vibrar?
Ficarão indiferentes,
tal como o presente
que passa por eles sem o viver.

Caminho e dou mais um passo
rumo ao percipício que percepciono 
como mais uma etapa a passar.
A pontuação... irrelevante...
Pois isto não é uma performance, 
não é uma obra literária, 
não é um dilúvio de sensações, 
senão para quem aqui vem,
percorre este espaço, 
ajeita o microfone, 
ou dispensa a presença do mesmo,
tudo pára
até que ele ou ela inicia...

Não importa nomes, 
pois já tantos por aqui passaram, 
mas digo-os à mesma:
Ana,
Mick,
Sérgio,
Paola,
Nilson,
Cláudia, 
Boris, 
Silva,
Napoleão, 
Ricardo, 
Samathar,
Leandro, 
Bruno, 
Ricardo,
Maria, 
David,
Tiago,
Márcio,
Catarina,
O ilustre desconhecido que teima em não aparecer,
e mais algum que possa ter esquecido, 
todos eles gladiadores da palavra,
que aqui estão, 
neste magnifico espaço,
para vocês, 
com vocês,
o público...
Somos todos nós.
É o Slam...

É o Slam...
É a partilha que me move...
E troco os meus aplausos 
pelo prazer que tenho ao ser bombardeado por ideias que me fazem pensar, 
ir mais além daquilo que sou.

Mas não contem comigo para uma fogueira de vaidades...
Serei sempre eu a cuspir-vos na cara quando assim o sentir.
Quem ganha ou perde, 
irrelevante...
Já o prazer da partilha não se mede.

É o slam
e este é o meu tributo a todos vocês
que participam no Slam.

A garrafinha cá nos espera no final.

Thursday, December 30, 2010

Sonho




A loucura tem o seu próprio modo 
de nos mostrar o que é certo,
o que é errado.

Jovem irado que jaz na calha
de descobrir o próximo escape
perde-se na luta da descoberta de si mesmo.

Por momentos vislumbra uma multidão
despegada e desconexa
embebida na sua própria solidão.

Repete-se a rotina.
O trabalho das 9 às 6
Não te libertas da prisão.

A culpa não é tua.
A responsabilidade talvez um pouco.
Afinal quem te deu a mão?

As coisas não tem de ser assim.
Por vezes é tão simples como olhar para dentro
e dar aos demais aquilo que queremos para nós.

Cliché, por certo...
Não o é menos verdade por tal. 
O embrenhamento na lassidão dominante 
pouco espaço dá à vivência real
alimentando apenas o espaço do mortal.

O sonho que se nega sonhar,
sonho que fica por realizar...
Depende tão só de ti,
de ti, 
de ti,
de ti,
de ti, 
e de ti.
de mim... também...
Afinal que somos sem o sonho?

Saturday, December 25, 2010

Sleep makes me awake




Existem coisas que por muito tempo que passe nunca deixam olhar para além 
das pálidas imagens que jazem presentes
à minha frente,
ausentes de si mesmas
tocando no etéreo
sem noção de si mesmas.

Em redor tudo está escuro.
O isolamento é certeza que vem de dentro.
Vislumbra-se a luz que teima em não chegar.
Esperar mais um pouco, 
mais um momento,
mais um evento,
seguido de outro,
e outro 
e outro 
e outro...

Tu aí que caminhas para aqui...
Continuo sem te ver
mas sei que estás ai.
E eu... rumo... sem te ver...
cego pela tempestade de areia que se abate sobre mim...
Empurra-me para trás...
Mas não me detém...
Sei que aí vens e eu...
marcho...
sigo...
luto...
caminho...
rastejo e corro um pouco mais ...
navego...
voou....
vou... 
a correr para ti...
Nada me pode deter...

Desta vez não é ilusão...
já oiço a tua voz 
e é ela que me puxa na tua direcção.
Marcha, marcha guerreiro,
caminha em direcção à luz,
os braços que te esperam emanam o calor que te acolhe.

Recolhe,
aos lençóis,
o teu castelo, 
o teu forte,
somos unos,
somos um...

Feliz,
em ti,
em mim, 
em nós.

Não importa que não oiças a nossa voz.
Apenas que o sintas.
Eu sinto.

E por muito que enrole não consigo para isto encontrar um fim...
Talvez apenas porque isto apenas seja um início...

Comecemos então....

Sunday, December 19, 2010

Andas perdido?




Viver sempre no presente
sem bem saber o que isso quer dizer.
O manual do caminho da tua vida permanece indiferente.
Questionas sem obter resposta,
mas caminhas em frente
pois em frente poderá estar a resposta
sem saberes se a vida te esconde ou mente
permanentemente ausente.
E tu que um dia foste crente...

O lamento aqui não tem lugar.
Cismar tão pouco serve o seu propósito. 
Os actos do dia a dia são feitos sem pensar,
repetidos à exaustão, mecanizados
por vezes ludibriados
e tantas vezes nos mantemos inebriados
com esperança de esquecer o que lá vem...
o que passamos....
o que vivemos...
Por momentos somos felizes na nossa fuga, 
mas ela encontra-nos sempre
e nesse momento....
nesse momento somos sempre obrigados a tomar uma nova decisão.
Fugir?
Assumir?

O tempo que está a contar e não espera. 
Mas espera mais um pouco.
Dá-me um pouco mais de ti mesmo.
Não sou capaz de tomar tal decisão,
assim, pressionado...
Não sou capaz de respirar.
Dá-me ao menos um pouco de ar
e talvez um pouco de força para persistir.
Não vou desistir,
mesmo que esteja errado.

E tu?
O que fazes aqui?

Saturday, December 18, 2010

Nem tudo tem de ser igual, embora muitas vezes o seja...




Pendo pendurado do meu tempo
que não temo.
Invento.

Repito o que outrora disse,
pensei,
fiz,
os passos que dei
o ar que respirei,
a vida que vivi,
repeti.

Dou voltas
e revoltas
envoltas 
da mesma batida
repetida 
infinita.

Poderia até variar,
procurar uma nova canção
variação avariada de uma vazia acção.
Mas é na repetição
que encontro repetidamente a emoção.

Ver escrever o que nunca sonhei poder ser real,
surreal embebido num ideal 
legítimo, apenas por vezes leal.

Prossegue a catadupa que se entrega 
por entre a esterilidade de momentos ausentes
de mentes poucas vezes presentes
semeadas nos espaços vazios 
de um espírito que viaja aos tropeções,
repelões disfarçados de inebriantes sorrisos.

O pessimismo semeado pelos demais
por vezes torna-se demasiado démodé
vitima do seu próprio fatalismo
que sufoca a alma que procura vir à tona, 
respirar pelo menos um pouco de ar.

Respeito faz ricochete no peito.
Não reflecte a lágrima que cai. 
O tempo não pára,
E como eu gostaria que parasse 
quando vivo nos teus braços. 
Chega de escuridão 
quando tu e só tu me trazes alento ao coração.

Quero o teu sorriso.
Quero-te para mim.
Afinal...
This can be the beginning of a beautiful friendship...

Saturday, December 11, 2010

Thursday, December 09, 2010

Abram alas, lá vão as palas...




Apontas o dedo à espera de uma resposta.
Deixaste levar pela torrente incontrolável
que controla todo o teu corpo.
Nada podes fazer além de te deixares cegar pelo ódio,
todo ele acumulado dentro de ti...
Descarregares toda essa fúria em quem estiver mais a jeito.
Foi assim que te vi...

A razão é ausente da acção.
Ignoras o contexto.
O que é realmente importante é o presente.
Afinal de que importa aquilo que veio de trás?

As they say "history repeats itself"

E como não há-de o ser?
A memória é curta,
da mesma forma que a visão.
Para quê compreender a outra parte?
Saber o porquê dos seus actos,
o que os condicionaram?

Tudo isso é irrelevante
e ainda mais imperdoável.
É sempre a maldade que jaz nos seus corações,
a manipulação,
a sede de poder,
nunca o medo,
nunca o pânico,
nunca o desespero.

Tic, tic, tic,
the clock is ticking
e não há tempo a perder para descarregar a própria frustração
na inocência alheia.

Corre, corre,
agarra a primeira pedra que encontres e joga-a contra o teu alvo,
esmaga-o com todo a raiva.
Não tenhas pena nenhuma, pois não é digno de tal.
Destrói, destrói,
não é digno de viver
e não permitas que isso te vá corroer.
Não se pode perder a oportunidade de eliminar a ameaça.

Não importa o que ou quem,
importa sim ser Anti.
Criar um motim,
lançar o caos,
disseminar o ódio
e alimentar eternamente a espiral de violência
exploração,
segregação,
alienação,
manipulação.
Nunca mas nunca dar a mão...
A menos que seja com ela bem fechada
para com toda a força
ser devidamente lançada.
E se não causar qualquer dano então,
volta-se a repetir.

É só rir com a desgraça alheia.
Mesmo que não seja para fora
pois não é socialmente aceitável.
Pelo menos ri-se para dentro.

Bem que podes acenar com a cabeça
e pensar que não,
mas os teus actos dizem o contrário,
tal como os meus.

Por certo que ninguém gosta de ler,
ouvir,
pensar,
ou reflectir sobre o que aqui está escrito.

A pergunta que se coloca é simples.
É este o mundo que queres?

Anda, 
dá-me a mão e vamos...
Vens?
Sozinho não sou capaz...

Rumo à indefinição




Ando afogado na imagem ilusória daquilo que sou eu mesmo.
Perco-me por entre devaneios não mortiços.
Bloqueio sem saber o que bloquear. 
Mantenho o frenético ritmo de estar parado.
Sigo no mesmo local sem me mexer.
Oiço apenas o barulho de motores a trabalhar.
Uns mais fracos, outros mais potentes.

A cama está lá ao fundo no corredor.
Não que eu corra em sua direcção. 
Tão pouco movo o meu cú do sítio onde ele está sentado.
Já me dói um pouco é certo.
Mesmo assim não o suficiente para trocar de posição. 

Continuo a jogar,
o jogo, 
o joguinho, 
mais um pontinho
e o jogo que é a minha vida
sigo sem o jogar deixando-me perder sem nada fazer.


Penso que por mais de uma vez me pedi na ilusão de um momento que passou.
Não sei bem do que se trata,
tão pouco o que me faz sentir.
Elaborar belas estrofes com sabores de nada conter.
Permitir que se siga jogando o mesmo jogo que não se conhece,
não se entende ou compreende.
E continuas a perder enquanto eu aqui estou a escrever.

Poemas uns dizem... nem sei bem porquê.
Eu simplesmente chamo uma palermice qualquer,
que nem sentido algum tem sequer.
Se quer o querer e sempre sem o fazer.
Distorce-se o sentindo, 
perverte-se a melodia,
enterrando-se o juízo,
não permitindo viver o morrer.

Como te atreves?
Como te atreves a sequer por os olhos 
naquilo que nem sequer um esgar foste capaz mostrar?
Como te atreves?

Como te atreves?

A mim só me apetecia viver.