Sunday, February 03, 2008

Monday, January 14, 2008

Um dia assim...

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Poderia até ser um texto agradável
cheio de erros
como é o meu timbre
poderia ser milhentas coisas sem sentido algum
ou apenas um retrato vazio
desprovido de cores
que normalmente pintam os nossos dias
poderia ser até o caralho mais velho
mas não importa
o momento foi quebrado em pedaços
até poderias pegar neles
e tentar colá-los com cola
e... construir algo
singelo e delicado
é apenas mais um dia
um dia cinzento é certo
onde o cansaço e o sono dançam
ao som do vazio vento que nada trás
frio....
como tu, como eu, como quem não importa
quem não quer
ou mesmo ignora o que é SER
ser num momento
para no seguinte se apagar
anular-se para um futuro melhor
sim, esse monte de esterco um dia até pode ser útil
é vazio, não é?
uns até podem dizer que cheira mal
ou nem sequer tem algum tipo de ciência
ao fim ao cabo, nem sequer me pagar
e no entanto não páro
com as barbaridades que me atormentam
sem saber o que digo
o que falo.... escrevo
escrevo sem sentido
escrevo sem querer
talvez apenas para não morrer
de tédio, melancolia, alegria que me sufoca
e faz querer viver cada momento
como se fosse o primeiro de muitos que lho antecedem
é belo, não é?
não te dou tal prazer....
vá... vá....
segue lá com a tua vidinha insignificante
eu... ainda tenho de me lembrar como respirar....
mas isso um dia... um dia vai acabar.
Um fim? Um meio? um início?
Talvez apenas mais uma passagem
onde o tudo e nada confluem para um carrossel
que defronta uma turba colorida de branco e marfim
era só mesmo para rimar com fim
mas se acabar assim não acaba bem...
os finais tem que ser abertos
deixar um tom de esperança....
.... ou não.
Podem ser apenas finais
dois pontos, entre um espaço
cala-te por um momento e aprende a ouvir
aprende a ouvir
ouve com as tuas mãos
afinal... porque olhas para mim se eu te menti
menti porque não sabia o que dizer
e o silêncio é tão incómodo
sinto-me sozinho...
... como se tivesses algo a ver com isso.
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live improviso at #palavras 14/01/2008
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Monday, December 31, 2007

Existir

Fazia algum tempo em que não abria um notepad
E me punha a escrever.
Mesmo que não faça sentido,
Não há problema.
São palavras que simplesmente reflectem
Bem ou mal aquilo que sinto naquele momento.
A paz de uma música,
Um gesto, um carinho,
O simbolismo de algo que não existe,
por entre um rasgo de vento
que percorre as frestas
que a distância das pessoas permite.
É algo etéreo,
vazio de significado e que tanto,
ao mesmo tempo,
tão pouco transmite.
É uma questão de perspectiva.
Tudo não é mais do que uma definição,
em que os iluminados humanos chegaram à conclusão
que era a melhor opção dar um nome
no lugar de meter qualquer outra coisa.
Tem alguma lógica,
usar uma plataforma comum
daquilo que são conceitos tão comuns
e ideias tão diametralmente opostas podem trazer.
Bem sei que aquilo que aqui escrevo,
nenhuma diferença faz ao mundo.
Aliás... faz... gasto energia electrica,
pele dos dedos a teclar,
desgasto o teclado com a pressão dos meus dedos.
Neste momento oiço mão morta,
Mas não é de todo inspirador.
Quer dizer, até é, mas não para este rol de pensamento.
ah, Ben, Ben, Ben....
é um prazer a tua existência e o quando a tua música me toca,
faz sonhar e escrever coisas variadas e sem qualidade.
Não pela inspiração que trazes até mim,
Mais pelo canal mesmo.
Por exemplo, este é um claro exemplo de bloqueio,
em que à falta de algo melhor para escrever,
limito-me a escrever o que faço no momento... ou não.
Muito Andy Warholesco.
As coisas também muitas vezes mudam sem nós nos apercebermo-nos.
E as fronteiras que separam o óbvio do velado
pouco ou nada se distinguém à luz do sol que não brilha
escondido atrás da transparente lua
que tudo permite sem nenhuma razão de vedar o acesso
aquilo que não é
porque não crê
não vê e como tal não sente...
Sente... que as coisas nem sempre são como nós queremos,
rezamos ou ansiamos.
E ficam os espaços, que não, não se têm que preencher,
porque nem todos os espaço é suposto estarem cheios...
Cheios de erros como eu dou a escrever desta forma compulsiva
Em que mesmo doendo-me os dedos deste duro teclado
consigo para de teclar.
Porquê? Porque tenho necessidade de encher isto com grande nadas,
ilusões de uma existência sofrível que por vezes teima
em querer nos pregar à cadeira que nos dá apoio ao nosso cú.
Sim, leste bem... escrevi cú... uuuuuu, que eclético é escrever cú.
És capaz de o dizer com todas as suas letras,
C U acento. Ou assento?
Depende da perspectiva,
mais uma vez questão de perspectiva...
Pois no fim, não existe nem certo nem errado.
Existe simplesmente o Existir...
.... quando sequer existe!

Saturday, December 15, 2007

Frustração

Frustrado não é aquele que não realiza

Frustrado é aquele que nem sequer tenta...

Saturday, November 17, 2007

Vida

A vida dá-te sempre razões para te sentires na merda....

... ou então....


... Simplesmente te dá meios para que tu aprendas a não te sentir em tal estado...

Friday, November 16, 2007

Pensar....

Por vezes existem coisas que nos fazem pensar...
Incrível... fazer pensar...
Quem diria que temos essa capacidade...
pensar...
pensar até rima com sonhar,
mas frequentemente a relação entre uma e outra é nula.
nula...
A nulidade frequentemente é um sentimento presente.
Ausente... talvez apenas algumas vezes mesmo o estado de espírito
Escrever, escrever, escrever o que apetecer,
Sem olhar a forma sabor ou sentimento.
Tudo de repente... como que de sacão.
Ai, os erros, o português escrito...
E eu que não ligava nada a isso...
É engraçado,
por vezes perde-se toda a credibilidade por uma palavra mal colocada.
Não será igualmente válido para os sentimentos?
O tempo está ali,
e bate ritmado,
tic tac tic.... tac.
às vezes até faz bem parar,
excepto quando faz muito tempo que estamos parados.
Olhar para o luar...
imaginar como será lá do outro lado...
Torna-se até engraçado
quando caminhamos pé ante pé
num gingar matreiro
como se de uma criança se tratasse
a olhar em seu redor a preparar a partida que vai pregar
E prossegue, meio confiante, meio desconfiada
conduzida pela a incerteza se será apanhada ou não.
O fim desta história pouco importa.
As pessoas insistentemente procuram por um fim para todas as coisas
Mas terá mesmo de ser assim?
Não será isso mais do que uma comodidade mental?
Ouve... Ouve-me... Não penses no que te consome.
Levanta-te e caminha,
Simplesmente caminha.
Esse mesmo trajecto irá te dar oportunidade para a redenção.

Nem sempre as coisas são como nós as pensamos
raramente o são
porque se pensa então?
porque nos rodeiam de energias cujo significado,
cujo sentido desconhecemos?

Ai, o grande plano de todas as coisas,
seres vivos ou não e outros que andam pelo meio.
Vá lá... mais um passo dados
em direcção à incerteza certa.

Saturday, September 15, 2007

um improviso de duas horas

TwinPeaks - Tudo caminhava em direcção a algo que não se sentia
Narag - silenciosos passos no chão de mármore despido
TwinPeaks - o vento cobria as costas como de um manto se tratasse
Narag - e os cabelos soltos, dedilhados
TwinPeaks - perdem-se no pensamento de uma vaga de solidão
Narag - as sombras revezavam o fulgor ígneo
TwinPeaks - olhaste, viste e perguntaste
Narag - com uma doce certeza espelhada nos olhos
TwinPeaks - és feliz?
Narag - Ainda não.
TwinPeaks - com a minha mão quente e gretada afago-te o cabelo
Narag - as ruínas dissolvem-se em cinza
TwinPeaks - quando naquela altura tudo era tão simples
Narag - os sonhos, as mágoas, a mera satisfação
TwinPeaks - damos por nós enrolados num turbilhão de emoções que nos arrastam
Narag - envoltos em aparentes telas de veludo
TwinPeaks - rasgadas por brasas outrora arrancadas aos nossos corações
Narag - encontramo-nos ligados, desfigurados como redemoinhos irados
TwinPeaks - que andam como que perdidos sem rumo nem sentido
Narag - mas presentes, vagueando
TwinPeaks - ouves? consegues ouvir? sentir? viver, respirar aquilo que não tenho para dizer?
Narag - clamas e eu não compreendo e somente rogo que me leves
TwinPeaks - sem condições, crendo apenas no teu ser
Narag - ferem-me saudades inesperadas e, até hoje, desconhecidas
TwinPeaks - e choro... choro sem saber porquê
Narag - e eu imploro indultos com sofreguidão
TwinPeaks - ao ritmo da trovoada, ao ritmo da chuva que lá fora cai
Narag - e no silêncio do interior o silêncio estagna
TwinPeaks - pára por um momento apenas e deixa a pressão te esmagar naquilo que és
Narag - deixa-te cercar por sulcos roucos
TwinPeaks - a água dos rios que corre pelos mesmos acolhe-te em seus braços
Narag - deixa-te reclinado sobre a relva sadia
TwinPeaks - respiras e esperas que te acolham
Narag - como o respirar do próprio mundo
TwinPeaks - o ar... o ar que falta... o ar... dá-me ... ar
Narag - e és liberto, liberto das amarras da gravidade, do solo, do espaço
TwinPeaks - sem saber como flutuo ao som das nuvens que passam por debaixo de mim
Narag - a tua presença dissipa-se no olhar vítreo; já cá não estás
TwinPeaks - por uma vez apenas, por uma voz apenas, por um sabor apenas..
Narag - nem o rumorejar do vento agreste, nem o arrastar das folhas quando o mundo repousa em tons de sépia
TwinPeaks - quem está? quem.... espera, consegues ouvir?
Narag - lanço sussuros que ecoam em vozes indistintas
TwinPeaks - os espiritos juntam-se em torno da fogueira contando histórias de lendas
Narag - o resfolgar crava mais profundas as fendas nos rostos
Narag - o resfolgar cava mais profundas as fendas nos rostos
TwinPeaks - por onde passam as lágrimas que espalham o som que nos faz vibrar
Narag - e se escondem as que hoje não serão descobertas
TwinPeaks - Consegues amar? perguntou-me
Narag - Consegues?
TwinPeaks - é doce o teu olhar, amargo o meu sabor, fujo à questão. Não sei responder
Narag - quanta ânsia me provocavam essas interrupções
TwinPeaks - sem saber o que fazer ou como reagir
Narag - desvanece-se a dimensão do tempo fundindo-se em fragmentos desunidos de ambos
TwinPeaks - ai, mas é tão bom quando se unem
Narag - numa luta emaranhada de memórias destituídas
TwinPeaks - que a pouco e pouco, cada vez mais se fazem presentes
Narag - e reaparece o entardecer ígneo
TwinPeaks - já se faz tarde e tudo o que se acreditava desvaneceu na penumbra de um dia perdido
Narag - como outros cinzelados nos memoriais pardos da recordação
TwinPeaks - apenas uma pedra que jaz no meio do nada
Narag - é todos os dias revivida como se de ávidos espectadores nos tratássemos
TwinPeaks - liga a tv, vê as noticias e de volta à vida cinzenta
Narag - funesta monotonia que nos consome
TwinPeaks - curiosa a mania de escurecer as coisas. No final tudo se resume a um beijo que tudo diz

Thursday, July 12, 2007

Fudível

Curioso como as coisa raramente são como queremos...
Fazemos planos para algo nunca acontecer, E
não sei se será a típica atracção fatal para o desastre natural,
não sei se será qualquer outra causa
que perdura como uma peça de roupa no estendal
à procura que alguém lhe toque,
a leve,
a passe a ferro,
a dobre
e faça com que continue no seu círculo rotineiro.
Tudo isto para dizer, ou melhor, perguntar
se realmente fará sentido fazer planos...
As coisas que se escrevem nem sempre têm de fazer sentido
as minhas raramente obedecem a tal desígnio.
Até acho um certa piada quando uso palavras caras
que nem sequer fazem parte do meu léxico.
Por exemplo, abro o priberam e...
começo por parvoíce...
passo para a demência
depois vou à loucura
sigo para tresvario
dou em delírio com mórbido
e fico enfermiço
mas achacadiço já começa a ser mais rebuscado
fico-me neste ataviamento que nada de jeito diz
Talvez nem seja suposto.
Estou-me a lixar para o suposto,
correr atrás do prejuízo
fazer aquilo que dá na real gana
ser olhar a meios e a fins
atropelando tudo e todos.
Mas o mais grave é que nem sequer um
com licença é pedido
Aí aí aí
a cantar, a saltar, trá lá lá
este texto já deu o que tinha a dar.
erro
erro
erro
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Hora de trocar o fusível


Thursday, June 28, 2007

Os dias

Os dias são passados ao ritmos dos anteriores
Uns mais depressa,
Outros nem por isso...
Mas não é por isso que deixam de ser mais iguais
que aos anteriores...
Essa vozes que me ouvem mas não me lêem
Tocam mas não sentem
Sabem mas não vivem
respiram até aquilo que nunca entenderam
Nem eu sei porque o faço
porque teclo
porque hei-de mesmo continuar a teclar
Existe alguma diferença entre aquilo que se passou
E aquilo que realmente é?
No futuro já nem se fala
Esse não se pára de se alterar...
É conforme lhe dá o vento
O sentido que se dá às coisas que nem se sentem
o tocar por entre folhas de palavras
que as mesmas não seguram...
Fazem uma pessoa inspirar aos soluços
ao ritmo de um som carregado de algo
Não tenho que o definir, nem mesmo escrever
Faço-o neste momento contra a minha vontade
As mãos com vontade própria
palavras próprias que a mente desconhece
Não consegue controlar
Não consegue viver o risco branco que escreve pelo chão
Será a sirumba ou qualquer outro jogo infantil
Qual quê.... o que os putos de hoje querem é mais é Playstation
Ainda aí estás?
Porque lês isto? Pára, ou é algo compulsivo
doença que te afecta e não te permite teres vontade própria
tens de ver a palavra fim para parares, é?
Seja.... FIM!

Saturday, June 09, 2007

Existe.

Existe o ser que vive dentro de nós aprisionado
Ele respira, observa e pensa
Pensa para si mesmo o ser que a sua casca criou
São infindáveis os diálogos entre aqui que se pensa
e aquilo que é.

Dois traços que representam aquilo que queiramos.
A poderosa morreu para uns,
para outros apenas um novo ciclo.

Não existem palavras no mundo que descrevem
o melodrama das palavras da linha acima escrita.

E porque não fazes tu mesmo, pergunta o pobre...
E porque não é o mundo linear?
Porque tem de estar sempre tão cheio de ideias
que de novo nada tem.

O que é certo é que enquanto escrevo
não falo daquilo que realmente quero.
Medo? Talvez. Aproveito a aberta e mais uma vez fujo
envolvido neste latente estado de auto-comiseração
triste com o facto estar triste sabendo que trista não é mais do que um estado
Passageiro ou não, apenas depende de como se lida com a questão.

Os olhos estão pesados, mas a vontade de escrever
aquilo que nunca vou dizer, mesmo que seja escrevendo,
continua presente, da mesma forma que o nó invisível.

A realização das ocas ideias que iam assolando a mente cansada de si mesma
permanecem no ar, como se nada se passasse.

É bonito quando tudo o que está bem acaba bem
sem bem saber os limites que se auto-impõem.

As imagens sujas continuam presentes
gravadas em forma de tatuagem
na parte interna da pele.

E depois?
Em nada se iria alterar.
Engraçado, tanto espaço entre as frases e letras.