Thursday, May 27, 2021

Aries

 Não. 
Não escrevi mas gostaria de ter escrito. 
Não.
Não desenhei mas gostaria de ter desenhado.
Não. 
Não disse mas gostaria de ter dito,
um dito, 
um conto, 
um parágrafo,
um ponto...
não sei se seria um ou um e uma vírgula.
A pontuação faz toda a diferença
por muito que digam que não. 
E eu insisto.
Até que digam sim,
ou simplesmente desisto.
Mas não resisto ao destino fadado
talhado e retalhado
à medida do fato que me veste
assenta 
e me cobre
sem cobrar afecto
mas fazendo-me sentir quente.

Poderia vir de oriente
ou poente. 
Mais não me poderia ser indiferente
por muito que fosse diferente.
No final dizem todos o mesmo
e aí da ovelha tresmalhada que saia do rumo.

Sou Carneiro
não ovelha.
Obstinado, 
teimoso
e pleno de coração.

photo by: vera-chimera

Sunday, April 11, 2021

O nojo que por vezes me dá ser humano

Não quero me fechar em mim
Mas sim em ti.
O mundo lá fora assusta-me
ao contrário dos teus braços que me protegem
deles...
de mim.

Se ao menos eles soubessem as consequências dos seus actos
as agressões gratuitas
as feridas que abrem
os danos que causam...

Porque será tão difícil procurarem
ou pelo menos tentarem ser melhor seres humanos?
É tudo a apontar armas em menos de nada
para depois se queixarem que foram agredidos.

Porque será?
Porque será?

É tão claro e não o conseguem ver.

Porquê?
Porquê?
Porquê?

Wednesday, February 17, 2021

Rambles of the mad king

The art of parting like a madman sitting in the throne with the pants down!
Unfuck the world. 
Word!
 
pic by: vimark

Tuesday, September 22, 2020

O mundo a Oeste

Passo dias, meses, anos sem escrever nada por aqui. 
Parece que é sempre naqueles momentos
em que a mente mais presa está que o escrever se torna compulsório
sem apelo nem agravo.
 
Subito querer ofuscado
pelos demais que nem se tocam..
 
"Não é importante"dizem eles
sem que por vezes oiçam a sua própria voz.
Sente-se a vontade,
o querer
entre o partir e o tudo partir.
E parte-se rumo a um novo destino,
uma nova praia, 
uma nova acção,
um novo antro de destruição.

Eu sou o caos, 
a ordem desorganizada,
que em nada manda
mas em tudo sente.
Prepotente, 
coberto nas minhas lágrimas
marcadas pelas dores das minhas chagas, 
e o Pedro que se foda, 
amontoado de clichês andantes.

Quero mais é encontrar o meu querer
sem corromper o meu ser.
Ter mais um momento, 
uma emoção
coberta de ilusão. 
E eu aqui a escrever
enquanto os teus lábios aguardam por mim.

No fundo, 
violent delights 
have violent endings.
 
Picture by: gejda










 

Monday, August 17, 2020

Os meus marretas

 O nome deste blog é não me importa.
 
Hoje importa-me.
 
Tu que eras metade do Statler & Waldorf 
foste agora ter com a tua outra metade.
E eu aqui de forma egoísta aqui fico 
a sentir falta de tudo aquilo que eras, és e sempre serás para mim.
 
Eras e sempre serás uma parte boa da minha vida.
Lembro de ti sempre com um sorriso.
Mesmo quando discutiam
e professavam dessa forma um amor infinito um pelo outro.
 
Hoje sem dúvida a minha vida ficou mais pobre e triste,
mas também acaba o sofrimento
de não reconheceres aqueles que ajudaste a criar
e que são as pessoas maravilhosas que são, 
grande parte pela tua forma de ser...
...estar.
 
Vou sentir a tua falta 
da mesma forma que sinto falta da tua outra metade. 
 
Hoje choro, 
mas também celebro o facto de poder ter feito parte da vossa vida.
 
As vezes que pegava na velha pasteleira do meu avô,
sempre que ia à terra,
a vossa casa era paragem obrigatória.
E sempre, sempre, sempre ali com vocês me senti bem,
me senti desejado
quando o contrário era o sentimento mais normal.
 
Todas as camisas de flanela que me deram quando eu andava na minha fase grunge,
ainda fazem parte da minha memória e do meu espírito.
 
Sempre me acolheram de braços abertos
e nem quando eu fugia das fotos que tanto euas odiava vos impediu de me amarem.
Sempre foram um dos meus portos seguros.
 
As saudades que eu tinha de entrar pela loja adentro com um sentido de propriedade
como se aquilo fosse tudo meu
e vocês sempre me deixando livre com um sentido de naturalidade
como se desde sempre eu fizesse parte da casa. 
 
Não tenho palavras para descrever o que sinto, senti e sentirei por vocês.
De certa forma talvez sem se aperceberem sempre foram de alguma forma o meu tudo
e nada voltará a ser igual. 
 
Talvez eu nunca tenha sido claro por palavras.
Sempre fui mais de actos e acções e vocês sempre me amaram assim.
Também nunca vos disse. 
Mas a verdade é que sempre vos amei,
sempre vos irei amar.

Enquanto conseguir me lembrar
e o destino não me reservar o mesmo fado que guardou para ti
irão sempre ser parte de mim
a que me agarrei com todas as minhas forças.

São sem dúvida umas das melhores partes da minha vida.

Obrigado por tudo aquilo que me deram,
agora e sempre.
    
Novamente juntos,
que possam continuar a ser felizes e a amarem-se,
como sempre o fizeram em vida.
 
Amo-vos!
Os meus Statler & Waldorf 

Picture by: reis1989


Thursday, April 02, 2020

O meu anjo

Tu fascinas-me
Tocas-me no coração como nenhuma outra me tocou.
Não só no coração
embora seja ai onde tudo começa.
Coração é simbolo de amor...
Amor que sinto...
Que sinto por ti...
Bem aqui ao pé de mim.

Ele adora-me.
E eu a ti.
Dizes que nunca te escrevi.
Tal não é verdade.
Desde o primeiro que te vi.
Olhei para ti
E te beijei.
Agora penas por aquilo que faço no segredo dos deuses.
E mal sabes que é por ti.
Para ti...
De mim.
Amo-te.
Outrora palavra maldita
Hoje é bendita.
Tal como tu na minha vida.
Este é o meu texto.
De mim
Para ti
E só para ti.

photo by:deligaris

Friday, December 27, 2019

Sem ti tudo é melhor por muito que não o pareça


Olho para ti 
e apenas consigo ver o que perdi de mim
sem apelo nem agravo
o destino não quis que eu fosse feliz.

São a mentira e o medo que marcam os teus passos
desprovidos de sentido que não o teu próprio
tal como os cordelinhos que te manipulam. 

Dou-te demasiada importância ao referir sequer estas palavras
onde a luta que procurei dar tem apenas paralelo na tua recusa do fazeres.
Por certo, um direito que te assiste
Em que eu, por muito que estivesse de coração partido não te o neguei.
Compactuei inclusivo com tal.

Eles ganharam... e tu foste atrás. 
A minha vida por momentos acabou, 
sendo apenas adiada por outros
onde apenas a solidão e o desespero se instalaram. 
Mas eu ainda aqui estou. 
Ainda respiro. 
E enquanto assim for, há vida, 
sem que se tenha vivido grande coisa. 
Ausência de certeza, 
ausência de amor.
Tu não sentes. 
Eu sim.

Merda de jogo viciado,
onde o que perde é sempre o mesmo.
Irá algum dia mudar?
São fragmentos do meu ser
que se despedaça
e se volta a reerguer
sem crer que para isso haja algum sentido
algum destino,
algum rumo,
alguma razão.
No entanto volto mais uma vez a fazê-lo.
Chega.
Por mim chega.
Não quero mais.
Mas em algum momento
a minha vez vai chegar já que tu não és.
Foste. 


Photo by:orangebutt

Thursday, December 05, 2019

Última batida

A moratória 
não é obrigatória. 
O ritmo da que a batida vibra
assim empurra o incauto para escrever palavras vazias
cheias de um sentimento 
que o entanto não se é capaz de descrever.
Prover sem o dever
de transmitir conhecimento 
no meio de nadas a que se agarra
e nada sem que algum liquido o empurre para cima
ou tão pouco o afogue nos nós
que são os seus perpétuos pensamentos.
O movimento 
em algum momento 
terá de cessar
sem terra nem mar
que se vislumbre
e ilude a pobre alma que confia 
sem olhar para os perigos que a rodeia.
Incendeia o sentimento,
a vibração do batimento cardíaco.
Navega desesperado por um sentido
um norte, 
um marejar desprovido de amarras
ou tentáculos que o prendam. 
Provém do sentir
sem que se viva o presente
ausente
não menos pendente 
do momento anterior,
sonho póstumo ilusório
sem que a penumbra comprometa
o que promete,
sem sombra nem vigor
marcado na cara
despido de primor.
E oiço...
a tua voz...
o teu sussurro...
o teu clamor...
E eu no meio do meu canto,
petrificado,
com medo do próximo passo.
Sou criança.
Sou adulto.
Sou velho.
Sou novo.
Sou o tudo e o nada
que em nada me envolvo
e em tudo me queimo.
Por isso, 
temo o próximo passo.
E é tão fácil o dar.
Dá-me a tua mão, 
um abraço, 
um beijo, 
um forte construído de afecto.
Quem sabe se assim
algum dia caminharei, 
ou talvez sairei do meu canto,
pois nem com o canto encanto.
Simplesmente espanto.
As letras vazias 
ligadas ao pensamento desconexo
inertes permanecem.
Algum dia terei que andar.
Talvez amanhã.
Talvez não.
Agora, é que não.
Simples esforço em vão.
Vão às vossas vidas.
Afinal a mesma não pára
até à última batida.

Picture by: md-arts

Tuesday, November 26, 2019

Sente

Questionamos muito o mundo que nos rodeia
sem que muitas vezes haja razão para tal.
Outras, não o fazemos o suficiente.

Deficiente a razão
pela qual não se demonstra o que se sente.
Onde a amostra permanece simplesmente inerte
com receio da reacção de estímulos exteriores
e os seus respectivos reflexos no interior.
Palavras, atitudes e actos
por vezes inocentes
outras lancinantes
para quem apanha com eles
sem que em certas situações 
haja mérito, destino ou razão.

Permanece além mar
a incerteza do momento que se segue...
E o tempo...
Ai o tempo
que tanto mata e tão pouco deixa viver,
condição da nossa percepção. 

Se acham que eu não faço sentido algum, 
é algo pacífico para mim.
Não tenho que ter. 

Mas párem.
Por um segundo apenas e pensem...
na diferença de tempo que sentem passar
entre o beijar e perderem quem amam.

Dizem que o tempo é relativo.
Aquilo que se sente não.

Photo by: pascalcampion

Sunday, November 03, 2019

São vocês o meu presente

Existem forças que vão e vêm
batem-nos como se nada importasse
e pouco importa quando nada se tem 
e tudo se pode
independentemente da vontade alheia
a volúpia semeia 
por entre frestas de portas 
aparentemente fechadas
mas nunca realmente presentes.
Pintas apenas de imaginação 
o medo que oprime
sem que o corpo se aperceba de tal. 

O sono esbatesse
contra a mente que luta para permanecer acordada
enquanto os braços quentes e envolventes 
me puxam para o conforto da atraente alcofa.
Mas não.
Tenho de lutar, 
tenho que escrever,
pintar o que sinto
sem saber o que sinta
onde a verdade 
não me permite que minta. 
Sinto mais que nunca
um pouco menos que ontem 
não menos presente
ou talvez apenas diferente. 
Difere a opinião, 
a visão 
turva com a confusão reinante
por entre forças que aos poucos me vão escapando. 
Sentado do alto do meu trono escrevo,
não sei bem o quê
mas também não importa.
E mesmo que importasse,
quero escrever. 
Tenho de escrever, 
cuspir as letras que me consomem,
encontrar nelas a oração que me liberta, 
por entre traços nunca escritos
das nossas vidas 
perdidas no meio de um encontro ocasional
nada fortuito, 
bem mais que real 
na sua dimensão de total
de inteira parvoíce
vazia de merdinhas que nos chateiam aqui e ali.
 
E porra. 
A música não pára
tal como eu não consigo parar de escrever
mesmo que nada diga.
Mas sabe tão bem 
ver a mente jorrar esta torrente
com as letras pretas a aparecerem no ecrã branco.
Simplesmente deixo-me levar, 
embalado pelo vosso encanto
no meu recanto, 
só nosso, 
meu, teu, vosso..
só nosso.
No próximo parágrafo do próximo dia
que se avizinha 
e nos abençoa com a sua existência.
Para todos os efeitos, 
isto não é um fim. 
Apenas uma pausa, 
em jeito de abertura para o episódio seguinte
da nossa épica história.
Amo-vos,
mesmo não sabendo se sou correspondido. 
Não importa, 
ao contrário do que sinto. 
Não necessito da vossa validação
e por vocês apenas sinto gratidão, 
no pequeno sopro que é a minha vida
no meio desta infinita imensidão. 
 
O próximo passo...
presente.
Agradeço.
 
Sempre Presente. 

photo by: dalaiharma