Tuesday, March 01, 2016

Cura

Longe vai o tempo em que escrevia horas a fio
frases, letras, palavras
exploradas ao milímetro
de fio a pavio 
sem que nexo entre elas exista como meio de ligação
a um ser eterno 
que existiu não mais do que na imaginação
de um ser imberbe levado da breca
sem que a sua inocência se perda corrompida 
pela vazia sensação de se pertencer a algo menor à primeira vista
já bem maior à segunda
onde o sentido não regula de acordo com os ponteiros do relógio. 

Algo não está bem.
Mas também não interessa que esteja, 
Ao estar perde-se a sensação de busca. 
Não que tal tenha que existir. 
Tudo em nosso redor não são mais do que meras projeções 
fugazes de fogo imaginadas
convertidas em pedra 
pinceladas de emoções 
muitas vezes desconhecidas do próprio ser. 

Óbvio que tudo se mantêm na mesma
dados que os valores vácuos se conteúdo 
continuam a reinar
sem controlo da razão toldada por tolos
que não querem mais do que pápas e bolos. 

"Mete sal!" 
Grita a toda a voz
para se livrar do mal
que aqui está e nada faz. 

Fede sem se ver, 
fere sem arder
até que não sobra mais do que o simples perder
foder
a doer ou não
diz a razão ignorante da emoção.

Foi bom, não é?
Será.

E sára. 
Porque para tudo há cura!

by: ephemeraldelusion

Wednesday, September 30, 2015

Monday, March 09, 2015

Fósforo


Papel e caneta.
Objectos em desuso 
outrora elementos basilares 
de uma civilização hoje decrépita 
e sem crédito 
fruto dos pobres valores sociais 
morais 
e acima de tudo pessoais...

Mas porquê???
Porque te tornaste assim???
não foi no momento em que te vi
porque aí 
já tu estavas assim 
inerte ao que te rodeia 
te sufoca 
sem dares por ela
estás morto
e feliz da ignorância 
que te passou ao lado 
nesse jeito gingão
e acéfalo que te é característico.

És podre 
tal como a tua vida vazia de significado 
onde as horas passam 
da mesma forma que os minutos 
os anos 
décadas e segundos 
de letargia deficiente
inerte às ondas da civilização... lol..
uma seguida da outra...

A vida é um fósforo
e tu
ardeste.

Image By: KWLynch


Saturday, January 24, 2015

Parar

Existem questões que nos assolam
sem para que tal haja razão 
e tão pouco resposta
sem que nova dúvida se imponha
no lugar outrora ocupado pela certa
que não era mais do que dois dedos de conversa
pensada intensa
mas só os que sentiram
se tocaram 
a um ritmo indefinido de cordas
por entre notas
que tocam no fundo
sem no fundo saberem
que não podem dizer 
aquilo que os olhos não viram. 

E por entre a brecha da janela
entra o sol 
que confessa o seu crime
de ausência da lua
que ainda agora estava ali. 
Veio a luz
tocar na escuridão
para o breu retirar
sem sequer vacilar
respirar talvez
até que algum dia é de vez.

Vês o que me fazes escrever...
O medo presente
na mente dormente
mas mente
sem que te apanhem 
na entranha visceral 
da tua dor viral
causada pelos teus actos vãos 
julgados de valor
de amor algum
que alguma vez esteve entre a  gente.

Tocam as badaladas 
que abalam o inspira-expira
da data.
Não ata, nem desata.
Atrapalha a vida
onde ele acreditava ser o herói
e não era mais que o vilão de si mesmo.

Entre o tic e o tac
vai o debate acalorado de quando acabar.
Até ao momento, 
altura,
tempo, 
minuto, 
segundo, 
em que não há mais do que... parar. 

E como tal, 
Parou.

photo by:

troyek



Sunday, January 18, 2015

Olá...

Olá Pietro, 
Olá Ana, 
Olá Tânia, 
E porque nunca escrevo nada
neste momento estou a escrever. 
Não para dizer muito, 
Ou então talvez apenas com o pouco dizer
tudo dizer. 

Olá. 

Olá e Obrigado.

Obrigado. 

Não de escrever, 
porque como disse escrevo porque assim tenho necessidade, 
é compulsivo
e quando o faço não consigo parar. 
Dizer nada e tudo dizer, 
colocando mil palavras e sair daí 
um simples mundo de nada
que por vezes ata
e não desata
escrita de acta
escrita com nata
naquela data
que empata
do fruto maduro colhido antes de tempo
em que nada existia, 
tudo esta incluído, 
vazio e sem sentido, 
mas sentido com tudo. 

Tudo incluído.

Assim foi escrito, 
assim foi dito
e assim foi esquecido.

Atónito e perdido.

Até que se fez silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!


photo by: Olupur

Monday, December 08, 2014

Fodei-vos

Diz-se que é importante manter a coisa saudável.
Nós, pó de estrelas
que por alguma razão ainda por conhecer
nos encontramos num aglomerado de massa
frequentemente amorfa e inerte
na nossa inútil visão 
onde cada acto tem a importância relativa e fechada em si mesma.

Anda fazer o não sei o quê
sem que se saiba o objectivo
onde o prazer é diminuto 
no seu infinito vazio de ser
 a preencher com a matéria etérea 
em pouca ou nada tangível.

Pena de seda 
que te toca e envolve
sem que sintas o que te esmaga a cara
aperta o coração 
e te impede de viver. 

O medo que não te abandona,
preso a teu pé como uma algema
em formato de bola de ferro. 
O querer mover sem poder sair do mesmo sítio em que te encontras. 

Merda para tudo isto, 
sendo que a merda é obra prima da pessoa
que tudo amaldiçoa  e nada faz para a limpar. 

Inútil pedaço de esterco
que nem para cultura de vegetais serves.
Já o és na brilhante forma cinzenta de ser.

Laptop ao colo, 
calças em baixo, 
crias no meio daquilo que és.

Vontade de rebentar com tudo
e saber que tudo fica na mesma,
Apertado pela auto imposta prisão
de opressoras grades invisíveis, 
sem possibilidade de fuga aparente
e no entanto ali está... presente
envenenado pelas vicissitudes que se impõem 
sem qualquer forma de respeito pelo ser
que se alguma vez o feio, 
não mais o é.
 
Simplesmente... perdido.
 
Fodei-vos.
 
Fodei-vos
 
Fodei-vos hipócritas de merda
perdidos no mundo Pepsodente
onde na era da aldeia global
a distância não é mais do que um clique
vivem imersos numa ilusão de conectividade
onde a distância entre seres não poderia ser maior.

Por isso... 

Fodei-vos...

Simplesmente Fodei-vos.

Photo by: Rotor



Sunday, October 12, 2014

Palavra de Imperador

Porque a Palavra também faz falta para alegrar os nossos dias. 
Não necessariamente a dita. 
Mas acima de tudo a sentida.

Thursday, April 11, 2013

Treme


photo by: ineedchemicalx
Saber o que fazer
sem ter medo do acontecer
perder sem morrer
o antes
o agora 
e o depois
para voltar ao antes
sem o pois.

Sois
quem sois
porque sois
a sombra da indefinição
latente
jazente
e talvez um pouco tremente
sem que o amanhã te procure. 

Ouve sem temer.
Tremer... sempre
que for preciso 
e fores capaz 
de voltar 
a repetir o mesmo passo
sem que se passe
do passado
andado
num mergulhado estado de emoção.
Translacção emotiva
que se traduz
à vaga ideia que a reduz.
Poderia até ser vagarosa
longe da proveitosa
idosa que treme 
no abismo que se abriu.
Perdeu-se o fundo,
sem que se visse o fumo
e no mundo 
tudo gira sem estar parado. 
Irado 
por certo levado,
mas a leva não concerta.
Treme,
sem parar, 
resultado de um passo perdido
sem passar o resto do dia 
no lar que um dia soube a mar.
Sou leão, 
imaginação de uma criança 
fértil em defeitos 
parca em louvores, 
deserta pela permanência
do jogo que não pára.
Ri-se sem saber.
Ri-se.
Ri-se porque simplesmente é bom.
E tu, porque choras?

Monday, March 11, 2013

Pedra no sofá

Photo by: enellphotography.
 
 
À medida que me afundo no sofá
que me abraça na ignorância dos traços
pintados à volta desse vulto que me rodeia
sem que eu veja as suas formas.

Finalmente... encontro o que há muito procuro.
Para ouvir, ouvir e ouvir em repeat, 
até que os ouvidos se cansem 
pois a mente a tal não se atreve
desconhecendo o que o amanhã trás 
em forma de surpresa que já na eminência
de fazer desaparecer a sombra 
presente de forma ausente
sem que o doente 
seja capaz de libertar a sua mente
e sente
esse ente
que não entende.
 
As lágrimas que caiem em seu rosto
sobem ao ritmo da prática da repetida tortura
sem razão de ser.
Haver um passo que cai no erro 
de não existir na forma que era suposta ser.
 
São fantasmas escritos nas folhas 
de uma ilustre estória
ainda mal contada que não deixa 
pedra alguma sem que lhe seja dada volta. 
 
Revolta daquilo que poderia ter sido 
e nunca foi por ficar sempre a meio
do seu caminho 
mal delineado por falta de lápis talvez...
 
Bela tendência essa de sentir pena de mim mesmo
sem que haja razão aparente
ignorando a razão para tudo
quando a base não deixa de ser nada mais do que a inacção.
 
Inepta mente!
Essa forma de escrever.