Wednesday, March 21, 2012
Tuesday, March 06, 2012
Vislumbre de uma escuridão luminosa
Para se escrever
é sempre necessário haver um tema
por muito que se tema o que é escrito
ou simplesmente vivido
sob a vazia casca a que muitos chamam de vida.
Ida fina e tão pouco segura de si mesma
reflecte as ausências do ser que outrora ocupou o seu corpo.
Morto por agora,
vivo ao dia de ontem.
Permanece um indecifrável mistério
a razão para tamanha confusão.
E eu que pensava que era apenas da minha cabeça.
Se bem que já apresenta algumas dificuldades
em juntar o B com o A para formar o BA.
E não é o BA de Batman
ou Batwoman
que por vezes se confunde com o Bate-me uma.
Tão brejeiro que ele é
e em igual grau preocupado com tal,
como se me pagassem para olhar para o que escrevo
como digo e aconteço.
Na sombra permaneço
sem prestar atenção
ao errante alheamento da nação
vagueando na noção
do "eu sei o que é o melhor para ti"
Toca aqui!
Torna-se fácil desarmar as mentes nuas
que percorrem as ruas
do alto das suas andas
e tão baixo caminham
por entre a podridão
aludindo-se à ilusão
de tamanha pseudo-elevação.
Não há tempo a perder
enquanto pensaria no que fazer
sem encontrar resposta
à demanda que se colocava
subtilmente colada
à aleatoriedade
de tamanha vontade
que recusava vergar
perante impressionante demonstração de inutilidade.
Diga-se o que se disser
o entendimento e perfeição
apenas se encontra ao dispor dos néscios hipócritas
que encontram nas orações
que negam a pés juntos fazê-las
a resposta à questão imperatriz,
matriz dorsal do momento presente.
Responde a verdade.
Não para mim.
Simplesmente para ti.
Tu?
O que fazes aqui?
Friday, February 24, 2012
Sinapses em curto
Ideias parcelares
feitas de parcelas de seres desconexos
que adoram brincar às ligações.
Agora ligo aqui,
agora ali,
agora...
ah... não dá.
Percebi desde o primeiro momento que te vi.
Algo se ia passa.
Por detrás desse olhar
que não fala e tudo diz
jaz o segredo da ilusão.
Uma imagem divina que se projecta
levada à exaustão
de uma mente que se julga maior
que a sua real dimensão.
Eternas verborreias
levadas ao extremo
de um rumo errante
errado por nunca ter tentado.
Ultrapassar a barreira desfeita
pela persistência da alma que ignora
o que a espera ao virar da esquina.
Termina por nada dizer
nada fazer
tudo a ver
e nada mais do que o focus no verbo ter.
Lamentamos o sucedido!
Palavras vãs
ausentes de sentimentos dignos de tal nome.
Não importa se o que escreveu faz jus ao que se pensa.
A atitude de quem marcou o ritmo
sem dar conta do passo passado na penumbra
passada na presença de sua excelentíssima ausência.
Encontro marcado à hora certa.
Frágil sombra do seu ser.
Poder sem saber que fazer.
Nem me apetece sujar as folhas de tinta,
que segundo alguns
não mais seria do que a fotografia
de parte destas sinapses
num eterno estado de curto-circuito.
E insisto nisto, cujo o objectivo é... nenhum.
Insisto novamente e digo... nenhum.
É giro, dizem.
Marca de quem não quer ver
o que é visível aos olhos de todos.
É bem mais fácil acreditar no que é mais cómodo,
sem causar por certo grande incómodo.
Venha daí esse grande, belo e confortável sofá
que alberga o comodismo mental.
Pensar dá muito trabalho.
Pensam-no sem o dizer.
Ou será que o dizem sem pensar?
Na realidade a diferença não é significativa.
O importante é uma pessoa se divertir
e rir, rir sem parar.
Porque se um dia o relógio para...
Tudo fica parado.
Fixo.
Parado.
Esbarrado.
Não.
Parado mesmo.
Parado.
Parado.
Parado.
Thursday, February 23, 2012
Estrada de cimento
Penso no pensamento
que me sai da mente
umas vezes presente
outras doente
sendo que nas demais
encontra-se simplesmente ausente.
Pede perdão
como quem passa por ele
não lhe toca
mas simula
emula sem o fogo sequer arder.
Arde no vento
que por momentos lhe tocou
abanou em tempos de loucura
tornada doçura
coberta de uma leve amargura.
O dilúvio de ideias
e ilusões
vendidas ao desbarato
remediadas daquilo que remediado está
mesmo sem haver remédio
para a maleita que deleita
o doente ausente daquilo que foi a sua saúde de ferro,
hoje gesto terno
coberto de um eterno
inferno.
Outono perdido
coberto de cimento
num inverno sem fim.
Cheguei mesmo a temer por aquilo que nunca fui
e no final fiz.
Diz a lenda que já bem mais faltou
para tão temível bis,
desenhado a giz
onde da ardósia apenas resta a memória.
Hoje a luz substitui a pedra negra.
Foi apenas mais um ponto,
no teatro da vida
que segue sem parar.
Se é que alguma vez começou...
Friday, January 13, 2012
Signo do sol
Perdido por entre o sentimento
da tua ausência presente
gera-se o entorpecimento das extremidades
que ainda há tão pouco tempo se perdiam nas tuas.
É a distância que nos une
e reforça aquilo que a razão
por vezes nublada que distorcer
cobrindo de floreados desnecessários
à vivência sob o signo do sol
mesmo que durante o dia
pareça que seja a lua quem reina.
Reina o que há para reinar
permitindo e alimentando o ego
do egoísta ser
que para ontem tudo quer
sem querer ferir ninguém,
Apenas alimentar
a sua própria sede de calor humano
que tantas vezes escasseia a seu redor.
É louvor que fica sem ser dito
quando na realidade
deveria mais era ser gritado
não escutado
mas sim ouvido por todo o mundo.
Não querem saber.
Tão pouco o têm
sendo caricato o posterior lamento do tipo
"Ah e tal, eu não merecia isto..."
Já mê pai diz
algo que dêle dzia
"Boa cama fazes
Boa cama te dêtas"
O meu pai é uma pessoa reservada no que toca a opiniões.
Mas sempre que ele me dizia isto,
eu.... tremia.
E perguntava-me sempre
"Oi... o que é que será que estou a fazer de errado?"
E a tua cama?
É fofinha?
Friday, November 18, 2011
Saturday, November 12, 2011
Sombra de um ser
Sou a sombra
daquilo que eu sou
porque deixei de ser
o que nunca fui.
E se me perguntassem
porque nunca foste
o ser que já não és
não serias tão ou mais
completo do que aquilo que nunca tiveste?
Seria por certo algo mais
daquilo que não creio
sem saber o que sabia
sabendo que sei
um dia morrerei
mas de voz plena
e peito aberto cantei.
Jamais me perguntes
qual a questão
para a qual não queres ouvir a resposta
sob pena de penares
sem saber o que eu sei
sendo que o que eu sei
é tudo mais ou menos que nada
que em nada se esvai.
Num momento tudo é,
num momento tudo foi
num momento tudo será
aquilo que nunca foi
para ser tornar naquilo que continua a não ser.
A sombra de um ser.
Wednesday, September 07, 2011
Boa Noite
Um resto de boa noite aos presentes
ausentes
transeuntes
Pessoas que fizeram parte da minha vida e se foram
Estranhos que nunca o fizeram e agora estão
A ti que me deste a mão
A ti que me a negaste
A ti que eras fostes e és quem és apenas porque sim
Tu que lutas de uma forma surda
Tu que ouves e não lês
Tu que lês e não dizes
Tu que és mas fazes crer que não
Tu que simplesmente existes
Tu que pintas os meus dias
porque sem ti não sei viver
e ao mesmo tempo sei mas não o digo
finjo que não apenas para te ter aí
Tu que ainda ai estás e lês,
porque tu sim o mereces...
Apenas tenho mais uma coisa para te dizer:
O resto de uma boa noite.
"Like two strangers turning into dust
Til my hand shook with the weight of fear"
ausentes
transeuntes
Pessoas que fizeram parte da minha vida e se foram
Estranhos que nunca o fizeram e agora estão
A ti que me deste a mão
A ti que me a negaste
A ti que eras fostes e és quem és apenas porque sim
Tu que lutas de uma forma surda
Tu que ouves e não lês
Tu que lês e não dizes
Tu que és mas fazes crer que não
Tu que simplesmente existes
Tu que pintas os meus dias
porque sem ti não sei viver
e ao mesmo tempo sei mas não o digo
finjo que não apenas para te ter aí
Tu que ainda ai estás e lês,
porque tu sim o mereces...
Apenas tenho mais uma coisa para te dizer:
O resto de uma boa noite.
"Like two strangers turning into dust
Til my hand shook with the weight of fear"
Monday, August 22, 2011
Invasão Sonora
left me out
without a sound.
Mas o som continua,
incessante,
irregular,
inconstante,
inaudível aos ouvidos dos mais distraídos
traídos pelos seus próprios ideais,
desprovidos de razão
mas cobertos de emoção
ausentes na sua auto-de-pre-ssão.
Toca-se a próxima nota,
a sequência seguinte,
fecha-se os olhos e deixa-se ir
permitindo que a música invada todos os poros
sem nunca porém deixar-se abandonar à lassidão,
essa entorpecedora de movimentos erráticos.
Tal como se pede,
tal como se exige.
Dá-se o passo seguinte
ao ritmo desconexo do ouvinte.
Ignora-se o ritmo
e deixa-se ir
onde a lógica não tem lugar.
Apenas a evasão.
É tão doce o ausentar momentâneo do próprio ser,
ser-se livre por momentos
sem se pensar no seguinte que se segue,
sem deixar que tal nos cegue.
Pelo menos
por momentos
vivo disto.
vivo disto.
A dança doce do luar
permitiu um pequeno pedaço de paraíso
à luz do teu sorriso.
Friday, August 12, 2011
(des)espera
Poderia até ser apenas mais um dia
Onde tudo se fazia,
tudo se dizia,
tudo acontecia...
Na realização da mais pura comunhão
com o mais profundo estado de auto-comiseração
coloca-se a questão
do próximo passo a dar,
evitar o que fere
em conjunção com a procura incessante
do seio reconfortante.
Pousa a mão levemente no chão
como quem procura forças para se erguer
contra tudo o que lhe oprime,
esmaga e condiciona.
Tudo pode acontecer
e o estar parado não é opção.
Que o diga quem da sua prisão nunca se libertou.
Verdade que o ar é de todos.
Mas parece que às vezes é só mesmo de alguns.
Quis respirar,
mas por momentos
simplesmente tive que parar.
Espera... é só mesmo mais um momento.
Subscribe to:
Posts (Atom)