Thursday, November 11, 2010

Culto à morte



O escuro de um momento que me faz perdido,
revela-me o quanto do meu ser ficou lá para trás.

A luz que me trás o novo dia,
relembra-me ainda que a história ainda muito tem para dar.
Muitas voltas, tropeções e emoções estão à espera de serem descobertas.

Evade-se da razão e deixa-se o sentir nos guiar.
Navegar sem saber para onde.
O que perder?
Irrelevante.
O mesmo já não se pode dizer do viver.

Tanto para se viver,
e quanto culto é prestado ao morrer.
Todos os dias se repete o ritual.
Morrer mais um pouco.
É algo que já está de tal forma entranhado
que nem se questionam.
Mais um prego no caixão.
Mais uma pazada de terra 
para a sepultura ganhar forma.

Optam, indubitavelmente, pela morte lenta inconsciente.
Não se deixam morrer de uma vez só.
Pois não.
São cobardes...
Tal como eu o sou,
se bem que de outras formas, 
com outros modos, 
com outros feitios.
Mas não.
Morrer de uma vez seria fácil demais,
E não teria qualquer tipo de honra.
Honra essa que nunca é demais.
Tu, até a tens de menos.

Passo ante passo és a contradição em pessoa,
falta de coerência o teu dia.
Foges da morte com tudo aquilo que não tens.
Cultivas a mesma ao longo da tua vida.

Afinal, que queres tu?

Sinceramente, não percebo a cobardia.
A minha... ainda menos...

Tuesday, November 09, 2010

Ímpia sensação de vazio



Tip tip top 
and over the top.
Stop.

Replay.

Play.

Ouve.
Não vim aqui para te convencer,
mostrar a luz,
alguma coisa que te proteja de ti mesma...
Lesma.

Vento que não pára, 
vento que sopra, 
vento que leva
eleva até não poder mais,
mais de ti mesma,
menos de mim mesmo,
E foi...
não foi?

Tic, hip, zip, nip...
Esta última nem uma palavra é,
café,
pé, 
zé,
fé.

Começa o ritmo desenfreado,
que nada pára, 
de cá para lá,
vazio, 
como eu, 
ou não,
sobe e desce,
perde, 
inventa,
lamenta,
mas nunca fica pelo mesmo sítio.
Um pouco mais ao lado,
O toque, lock n' load.
Não fica.
Vai.

Como todos, 
porque começou sequer?
Eu até estava tão bem ali,
assim, 
que te vi,
lembrei-me,
do que não senti.
Parti, 
mas pelo menos... vivi.

Friday, November 05, 2010

Respeito



Suspeito 
de algo que levo ao peito
sem qualquer tipo de despeito
Respeito.

Respeito.

Cousa rara em mim,
que nem quando vim
à luz da inocência que vivi
me vi dotado de tal fim.

Respeito.

Respeito.

Tanta gente que passa por mim, 
nada me diz
nada me dizem 
em nada me tocam,
mas tocam-me sem tocar.

Respeito.

A batida do tambor 
define o ritmo a que a coisa de conduz.
Produz a contra-luz
ao som do obus
que aqui, 
neste mesmo lugar, canto, recanto... pus.

Respeito.

Peito.

Pinto.

Finto.

Respeito.

Respeito.

Desfeito fica o coração do pai, 
quando o filho não corresponde sequer com as expectativas não criadas.
Levadas numa incerteza daquilo que as acções determinam.

Terminam.

Respeito.

Feito de uma luz de luar
que pousa sobre as minhas mãos, 
encanta os teus olhos, 
faz brilhar os meus,
e numa ausência de ruídos nos....

nus.

Não quis, mas... fiz.

Diz?

Já disse.

Respeito. 

Não tenho, mas abro o meu peito. 
É só perfurar.
Já que não fazes com as mãos, 
bem sei que o fazes com os sons que saem da tua boca,
moca como a tua cabeça.
Não desvia um milímetro da tua ideia inicial, 
muito menos questiona o móbil.

Playmobile.

O cata-vento.

Relento.

Lento.

Lento.

O cão ladra...

Mas... Respeito.

Respeito... por muito que tu penses que não.

Wednesday, November 03, 2010

Muitas vezes não queremos as pessoas por aquilo que elas são
mas sim por aquilo que elas nos fazem sentir.

Desconexão fictícia...


Pede-se silêncio.
Silêncio.
Na portada jaz a imagem clara de uma passagem difusa.
É como se as palavras faltassem.
Ou então... até mesmo a vida.
Aqui no quarto escuro,
a música envolve-me nos seus braços.
Faz-me companhia.
Que seria da minha vida sem ela?
Serve o seu propósito, 
tal e qual como nós fazemos quando negamos o nosso destino.
Jamais traçado.
Vai sendo definido à medida que o tempo passa,
pelas acções feitas e as que ficam por fazer.
Sem nada temer, 
nem sequer o perder.

Existem por certo diversas vozes mudas
que jamais dirão o que sentem.
Repetem até à exaustão
"está tudo bem".
Quanta hipocrisia. 
Reagem com estranheza quando a resposta é "não".
Mas que importa isso?
Já dizem os espanhóis
"Es lo que hay".

Pertenço a um mundo que desconheço 
e questiono com toda a minha força
que tantas vezes de tão pouco me serve.
Abro a janela à procura de um pouco de ar...
Tudo por limpar...
Tudo por fazer...
Desde a cama à cozinha.
E a vida que não espera.
Desespera um pouco rapaz,
desperta.
Talvez isso te ajude um pouco.
E tu rapariga, 
para quê tanta questão
e duvidas da razão?
És bela e não acredites em quem diz o contrário.
Um autêntico pecado.

O tempo está a contar.
Não pára. 
Para muitos apenas ilusão.
E para ti?
O que é?

Monday, November 01, 2010

Viagem... Fazer...


Podes até nada mais fazer.
Bater com a porta e não mais olhar para trás.
Seguir em frente, em frente,
até que o fim do mundo chegue.
Viajar a toda a velocidade,
como se tudo em redor fosse apenas um filme,
daqueles que olhamos e nos encanta
de uma forma doce e plácida.

Segue, segue e segue
e que nada te pare,
que nada te detenha do teu rumo incerto e desconhecido.
Abraça, não porque o deves fazer,
mas... porque sim...
porque simplesmente te apetece.


Pensar faz mal, alguns dizem.
Efectivamente até muitos dessa forma vivem.
O sentir, essa praga que por vezes nos assola,
não há meio de o desligar quando mais interessa.
Curiosa ainda mais é a forma como muitos o têm de o fazer.

Mais uma pedra na calçada,
a palavra que foi dita a mais,
a palavra que ficou por dizer,
o beijo que ficou por dar,
o sorriso que se esqueceu de esboçar
e bocejo sem cativa intenção para o que me aborrece.
Dizer tu, seria tão fácil.

Viajo perdido dentro de mim mesmo,
como um naufrago à procura da corrente que o leve a porto seguro,
embebido em fait-divers,
luxurias e vanidades que nos desviam do essencial.

Sou sem dúvida o capitão da minha navegação,
mas rica barcaça esta em que me encontro,
descoordenada e sem encosto,
o ritmo, o som, a imensidão aqui presente
que os menos cegos dos viventes sequer tem a habilidade de vislumbrar
sem querer perturbar de tão perturbados que estão...
Perdidos, como eu, sem o quererem demonstrar.
Orar.
Perdoar.
Uma cara,
única,
perdida por entre a multidão,
apenas mais uma...
apenas mais uma...

Como será a minha Eulogia?
Haverá música?
Que palavras dirão?
Haverá alguém?
Apenas peço para deixarem a hipocrisia toda lá fora...
Mesmo que para tal não haja ninguém.
Sempre será melhor.

O retrato de uma vida.
Uma viagem...
Apenas mais uma...
mais uma..

Saturday, October 30, 2010

Coração


Quis te dizer as palavras que circulavam pela minha mente,
algo que a boca não permitia que as mesmas conhecessem a luz do dia.

Gotta love the man even if you don't agree with what he says.

Poderia até ser o título de um romance,
ou uma outra coisa qualquer.
Letras e palavras debitadas ao acaso.
Ainda assim por diversas vezes há quem no meio desta amalgama,
encontre um qualquer tipo de sentido.
Se bem que não ter nenhum já por si o faz um.
É um rol infinito de repetir até à exaustão, 
meramente deitar cá para fora aquilo que não se sabe.
Mas tem o sabor a qualquer coisa,
um tipo de fel,
pois mel por certo não o será.

Pedes-me a mão para me esbofetear a mim mesmo.
É só mais uma a seguir a outra.
Mais um grãozinho de areia nos olhos, 
mais uma linha que anda sempre à pesca,
à procura do que possa encontrar.

Vazio, denominador comum,
outrora desconhecido,
hoje presente,
pressente,
ausente.

Parou.

Parou.

Tunc! Tunc!
Tunc! Tunc!
Tunc! Tunc!
O coração continua a bater.
Até quando?
Até quando?

Tuesday, October 26, 2010

Quem?


Quem é quem?
Quem é que te pergunta
quem é que foi?
Quem quer saber quem?
Quem?
Como quem fizesse a diferença
sobre quem disse quem.
Quem?
Quem?
Quem quer saber?
Quem pergunta quem?
Quem diz quem?
Quem?
Tu?
Quem és tu?
Quem queres que quem seja?
Quem te permites ser
e quem pensas que és?
A quem dizes quem?
Como se o quem
alguma diferença fizesse no és...

Monday, October 25, 2010

Pequeno

 

Sinto-me pequeno
pequeno
tão pequeno como uma folha
 que cai de uma árvore
no silêncio cortado apenas pelo vento
que apara a queda
dedo que não toca
ouve o que rodeia
sem lágrima ou guia
deixando o abraço te acolher
ouve...
ouve...
e por muito que tente
já não sei escrever
descrever o que me vai na alma
alma que tenho ou procuro
sem a noção do que é ser
ou respirar o toque
a beleza da viagem
responder ao que fica
e toca
e vibra
por isso quis caminhar
por entre o olhar vazio
vida que respira e transpira
o vazio que reside na vivência alheia.
Pensas nas ilusões que se criam
e crias aquilo que não querias.
Mas não consegues controlar a tua mente.
Deixaste deturpar pela visão que criaste
e bloqueias tudo em teu redor.

Sinto-me pequeno.
Pressinto o que está para chegar
sem bem vislumbrar a sua forma.
Fecho os olhos e consigo cheirar.

Segue uma nova fase, 
uma nova frase,
uma nova página, 
um novo capítulo, 
um novo livro.
Título que ficou por escrever,
ainda por terminar.

Vago, 
espaço que fica por ocupar,
o estar aqui, ali, a sorrir, 
sem nada temer,
sem a ninguém ligar,
parar não é opção.
Quem para morre 
e há muito que não me movo.

O tempo de morrer a seu tempo virá.
Agora... é tempo de viver 
e mais tempo não tenho a perder.
Mas ainda... me sinto... pequeno.

Sunday, October 24, 2010

Eu até gostava de ti...



É por certo nas alturas mais estranhas
que temos vislumbres daquilo que a vida nos quer dizer.
Fazer para o amanhã não ficar pendente.
Treme e vive na incerteza colorida de imagens dissidentes.
O olhar que tudo disse sem uma palavra sequer soletrar.
Vive no passar da incerteza dos dias,
saltando de cá para lá e de lá para cá.
Novo marco, novo traço
fruto da certa incerteza,
inerte, inverte e perverte.
Pende de mais um traço que não se encontra em lado algum.
Apenas na tua mente divergente e pouco clara,
ofuscada pela tua própria obsessão.
E feres sem te preocupares.
Imaginaste isenta e completamente livre da reacção das tuas acções.
Permites-te autênticos atentados agindo como mais que os demais.
Cegueira alimentada pelo ódio de uma causa jamais questionada.
Nutrida pela ignorância de acções alheias,
Segues no teu caminho errático, trilhado de ódio da vida que é a tua.
Pessoa que sou eu, empecilho no teu 
onde plantas e semeias autênticos pilares de auto-destruição.
Ouve-se a quilómetros o tic-tac, tic-tac do relógio dentro de ti,
prestes a explodir com tudo o que te rodeia.
Apenas te ofereci uma mão, prontamente recusada,
em nada armada, apenas desinteressada.
Quis-te apenas feliz nos meus braços.
Agora nem isso.
O feliz mantém-se, mas, quando mais longe, melhor.
Espero que não morras.
Irei limpar por certo o lixo que fizeste, deixaste e não olhaste.
Viraste a cara à luta e simplesmente fugiste.
Não é por certo ódio o que vive em mim.
É algo que vai mais entre a incompreensão e o lamento.
Ai que merda de texto...
mas não tanta quanto a que tu demonstra ser... para mim.
Que texto este tão cru.
 Sou apenas eu, aqui... nu.